Venho falar de um argumento recorrente sobre os negros e uso um caso conhecido de todos para ilustrar.

Dia 30 de novembro de 2013 ocorreu um evento com carros de som no píer na Praia do Suá, atrás do Shopping Vitória. Segundo meu irmão, que é policial militar, a central recebeu orientações para reforçar a segurança em torno. Houve também uma denúncia de tiro no local, causando uma comoção geral e fuga para o Shopping Vitória.

Uns dizem que foi tiro, outros dizem que eram pessoas fugindo da polícia por causa de drogas. Não importa o motivo, e sim o que ocorreu depois: um grupo entrou para o shopping para fugir/se abrigar/ e causou pânico geral.

As informações desencontradas vão que os “vândalos” ao entrarem derrubaram lixeiras a cenas do filme Carandiru, mas vou me ater a um ponto de vista, de um amigo meu que trabalha na segurança do Shopping.

“Éramos poucos e eu estava lá fora. Assim que a galera entrou, fomos abaixando as portas e afastando o pessoal que queria entrar a base de cassetete e taser (arma de choque). Dei chute em muita gente.”

Quando argumentei com ele sobre o tratamento, que se houve racismo, ele, pardo como eu, falou:

“O problema do negro é que ele sempre se diminui. Diz que tudo acontece com ele por causa da sua cor. Ele mesmo é seu próprio problema, não tem ambição. O negro é mais racista do que o branco.”

Não é a primeira vez que ouço essas palavras, com algumas modificações. “Os negros são mais racistas”, “negro não corre atrás”, “negro se autodeprecia” e “negro não tem ambição”.

Tem razão. Negro não tem ambição. Geralmente, eles se contentam em poder pagar a sua televisão de 40 polegadas em dezenas de prestações, desesperado em perder seu crédito no caso de atraso.

Eles se contentam em pegar o ônibus lotado e às vezes riem de alguma dondoca indignada que precisou entrar no ônibus.

Eles constroem suas próprias casas, fazem um puxadinho para os filhos, e a primeira coisa que pensam quando estão trabalhando é “conseguir comprar uma casa para a sua mãe”.

Alguns deles se metem com o tráfico, porque é muito triste ver o tênis que ele gostaria de ter custar tanto que a parcela de sua TV.

Muitos deles gostam do funk porque fala de sua realidade. “Ele quer ser feliz andando tranquilamente na favela onde ele nasceu.”

Outros gostam do samba porque também fala de sua realidade. “Batucada boa, cerveja gelada, e mulher bonita, quem é que não gosta?”

Sua ambição é ter uma moto. Ter um carro. Um som potente para o seu carro. Uma garota. Dinheiro bastante para fazer um churrasco final de semana. Quer pedir pizza. Quer McDonalds.

Ele quer ensino pro moleque dele não passar pelos perrengues que ele passou. Não tem escola pública? Ele quer por o menino numa escola com um precinho acessível.

Quer o menino com roupa legal para os amiguinhos não os tratarem mal.

Outros querem a faculdade. Acham que assim vão conseguir melhorar de vida. Muitos entram por cota. Muitos conciliam trabalho e estudos. Poucos se formam.

E a negra? Puxa, ela quer seu celular com internet. Ela quer ter roupa legal, para tirar foto, compartilhar e arrasar.

Ela quer o dela. Quer trabalhar, quem sabe ter o seu próprio negócio? Ela quer namorar, quer um cara que faria tudo para ela. Quer vida de princesa. Vida de princesa é ter sua TV, não faltar os móveis, não faltar nada na geladeira. Uma piscina de fibra de vidro no quintal.

Ela quer sair, quer curtir, quer viver. Quer postar seus vídeos dançando na internet. Quer milhões de acessos. Sem fazer mal a ninguém, quer ser conhecida. Ela quer mandar um alô para as recalcadas.

Algumas são recalcadas. Querem se dar bem, querem marido, querem quem banque. Elas não estão erradas, quem quer, corre atrás.

Ela quer estudar. Quer faculdade, curso técnico, quer ser doutora, quer fazer serviço social, quer voltar à favela, quer montar uma ONG, quer dar uma vida diferente da sua para a criançada.

Seria uma injustiça dizer que é “só isso” que querem os negros e as negras deste país. Eles mais.

Não posso dizer também que é um mundo de bem intencionados. Os chefes de tráficos nos morros, em sua grande parte, são negros ou mestiços.

Uma vez o Júnior, da dupla Sandy & Júnior, disse uma frase no Programa Livre (ou no Altas Horas), em que afirmava que os traficantes têm uma inteligência acima da média (eles são geniais, nas palavras dele), por pensarem ações, em formas de se comunicar com as pessoas, e que essa inteligência deveria estar sendo usada em favor da comunidade.

Mas pensamos: como um negro pode ajudar a sociedade, se ela está organizada para que os negros não cheguem a postos em que fazem realmente diferença na vida da população?

Quantas empresas temos gerenciadas por negros?

Quantas cidades temos cujo o prefeito é negro ou pardo?

Quantos vereadores negros temos? E quantos desses vereadores poderão chegar a serem deputados? Senadores?

O quanto um negro precisa ser corrompido para chegar ao poder?

Quantos secretários municipais, estaduais, quantos ministros negros temos?

Onde você consegue achar negros? Professores de escolas e diretores (conheci um!), cargos de baixa patente da Polícia Militar, garis… Quando algum médico negro aparece, como os cubanos, são “acusados” de terem caras de empregadas.

Aí, eu te pergunto: Quem decide o preço da passagem? Quem comanda o BNDES? Quem causa rombo nos cofres públicos? Quantos nomes existem no mensalão? Quantas empresas são pegas com gatos de energia, quantos restaurantes chiques têm comida com prazo de validade vencida em seus congeladores, quantas empreiteiras usam material de segunda em suas construções, quantas empresas fraudam licitações, quantas empresas entregam remédios estragados para a população carente?

E quantas delas são de um proprietário negro?

Então, pense um pouco: o que você chama de ambição? Querer mais do que é necessário? Porque o os valores que vemos serem desviados seria o bastante para uma família viver bem por gerações. E mesmo assim eles não param.

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Eu preciso reconhecer que eu me saboto o quanto puder.

Apesar da plena confiança de que eu vou vencer na vida, alguma coisa me diz que não mereço.

Sou meu melhor incentivador, mas também sou meu maior inimigo. É que eu já ouvi tanta coisa, vi tanta coisa, vivi tanta coisa…

Desde pequeno, ouço coisas como “Ela é bonita demais para você”, “Você é um moreno bonito”, “Não é o que estamos procurando”, “Sua hora vai chegar”, “Só podia ser preto…”

A diferença grande em todas as fases da minha vida me mostravam o quanto a cor da pele pesa. Quando criança, estudando em escolas públicas, meus amigos brancos moravam na baixada e eu, na ladeira. O mais pobre branco que eu conhecia tinha uma casa de alvenaria, enquanto eu morava numa casa de madeira.

Os grupos musicais não tinham negros. Em compensação, eram maioria nos grupos de samba. Mesmo nas brincadeiras com os amigos, eu não estava numa banda porque Polegar, Dominó e Paquitos não tinham negros.

Jairzinho foi o grande representante negro, afinal, era um “moreninho bonitinho”.

Minha mãe, tentava diminuir a cobrança de ser negro em um bairro de Vitória com ladeiras e ruas, dizia que eu não era preto. Era moreninho. Logo depois dizia que precisava tomar um banho porque estava “cheirando a nêgo”.

Nós perpetuávamos o racismo. Como evangélicos, ligávamos os negros às religiões afros. Não nos misturávamos, não celebrávamos Cosme e Damião, não íamos ver o Ano Novo na praia para não encontrarmos os seguidores de Iemanjá.

Quando me apaixonei por uma garota branca, a família me achou metido, até disse que ela era bonita demais para mim.

Mas esqueceram (ou não sabiam) que as primeiras paixões da minha vida, com 9, 13 anos, eram lindas negras de sorrisos grandes e gengivas escuras.

E lembro do preconceito que era visitar uma delas, coisa que fiz por toda a minha infância, o olhar reprovador do pai dela. Por me sentir quem eu era, um negro pobre sem pai, achava que o problema era a minha cor, não o fato de eu ser um menino despertando para a adolescência e que pai nenhum gostaria perto da filha. Não era nada pessoal, mas eu me sabotei.

Quando eu ia ver filmes na casa de um amigo meu, as irmãs dele tinham nojo de mim por eu por a mão na bacia de pipoca e, ao comê-la, meus dedos encostavam na boca. Diziam que eu babava a pipoca, como todos eles faziam. Mas eles eram uma família de brancos, né?

Me sabotei no Centro de Artes da escola FAFI. Queria ser ator, mas com a minha cor só via escravos sofridos em remakes de novela. Vi um negro comendo terra, querendo voltar para a África. Vi gente falando errado. Vi uma negra num sítio, vi negros transando com Lucélia Santos num ferro velho.

Quis cantar, e vi Emílio Santiago, Gilberto Gil, Jair Rodrigues, Aguinaldo Timóteo, todos velhos até mesmo para aquela época. E quantos negros surgiram? No pagode, dezenas, décadas depois esquecidos. Mas em bandas de rock? Se não são apenas os músicos de apoio, como o pianista do Paralamas, ou o baixista da Legião Urbana, hoje um mendigo nas ruas do rio. Sobra-me o Funk, que só fez sucesso porque tinha um branco na capa do disco.

Nunca me achei bonito. “Sou ruim, e o cabelo ajuda”, eu dizia. Nunca fui opção de namoro. Sempre fui o conselheiro, sempre me expus demais. Sempre me sabotando.

Queria ser um artista, silencioso. Minha arte falaria por mim. Meus desenhos, quem sabe? Nunca os achei bons o bastante. Talvez escrever? Quantos negros escrevem? Bem, teve o Machado de Assis, e… Bem… com certeza existem outros escritores negros por aí, mas quantos desses conquistam espaço no mercado?

Fui carregador de refrigerantes para ganhar 40 reais por dia. Se eu ficasse sem comer, conseguiria economizar o tíquete de 5 reais e assim, “engordar” minha receita. Todos negros, com engradados de cerveja cruzando a tarde, parando em bares, esfolando os ombros.

O preconceito é tão forte que, quando me apaixonei por uma garota da igreja onde eu reunia, um outro amigo meu, também negro, não achava que a menina devia se relacionar comigo. Nós morávamos no mesmo beco, ele conhecia a minha família, meus hábitos. Não havia objeção alguma “senão” a minha cor.

Quando trabalhei para a Escelsa, companhia elétrica do estado do Espírito Santo, fui acusado de roubar um cartela de tíquetes de um garoto que havia chegado de férias, apenas por estar na sala sozinho, aguardando a hora de ir embora. Nós ganhávamos meio salário mínimo (36 URVs na época), e nada menos que 200 URVs de tíquetes, que eu usava para as compras de casa, enquanto a minha mãe usava o pagamento dela para construir a casa (que o ano passado foi abandonada em péssimas condições, tomada por usuários de crack e vendida por uma ninharia).

Ninguém considerou que eu poderia ser inocente. Apenas me mandaram eu devolver os tíquetes roubados. Me mandaram cumprir um dia de serviço e depois, sair do emprego. Então descobriram que o tíquete não veio porque o cara estava de férias. Me pediram desculpas e eu, ingênuo (15 anos na época), fiquei feliz por não ter perdido o emprego, coisa que aconteceu meses depois. Era um perigo um injustiçado ficar ali na empresa, sendo influenciado pelos outros a processar uma das maiores empresas do estado.

Quando passei no curso de Artes Visuais da UFES, na minha turma tinha 3 negros entre 25 alunos.

O outro aluno que conheci era do outro curso, de Artes Plásticas. Poucos negros na área de artes, e não era difícil de entender porque. Materiais caros, aulas que de manhã e de tarde, difícil trabalhar em tempo integral e estudar. Eu mesmo pulei fora por causa disso.

Por muito tempo vi negros empilhando caixas no supermercado, sonhando em ser ensacoladores. Quem sabe um dia ser caixa. Já vi gente sonhando em ser açougueiro, ganhava-se muito sendo um.

Quando decidi que queria escrever para viver, fui para gráficas, onde a coisa sempre era assim: Os vendedores, brancos. Os designers, brancos. Recepção? Brancas. Impressores, caras rústicos, broncos, mas que mexiam em máquinas de mais de meio milhão de reais eram… brancos. Serviços gerais, empacotadores, carregadores? Negros.

Onde eu chegava, era uma exceção. Na redação do jornal A Tribuna tínhamos sim alguns negros, peças importantes de lá, mas de novidade? Motoristas. Escrevendo, pondo as suas opiniões no jornal? Tínhamos 2 em uma redação com 40 pessoas. Eu mesmo era infografista e o outro negro ficava no tratamento de imagens.

A maioria esmagadora de negros ficavam no fim da fila, dobrando e encadernando os jornais, na madrugada, pondo em kombis para distribuição.

Na festa dos jornalistas, uma sala imensa onde poucos sorrisos negros brilhavam. Exceção reconhecível.

Na seleção para a oficina de roteiros da Globo, brancos, brancos e mais brancos. O cara mais negro que existia lá era eu, e em seguida André Vianco, que precisava ficar um pouco mais no sol para ser reconhecido de fato como moreno, entre 53 candidatos.

No Programa Globosat de Desenvolvimento de Roteiristas, eram 5 negros (3 homens e 2 mulheres) em um auditório com 250 roteiristas.

Este é o país em que eu fui criado e vivo. Eu trabalho na manutenção do meu sonho diariamente, mas cada dia mais eu vejo que tem gente contra, e não é contra mim, é contra todo um grupo.

Pessoas que deveriam ser cultas, pessoas presumidamente com conhecimento. Estudantes de Direito, de Medicina, pensadores, escritores… Dizem que nordestinos não prestam, xingam médicos cubanos de escravos, MEU DEUS ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO!

Eu tenho a impressão de que MERECI passar por tudo que passei só por ser NEGRO. Que não mereço me destacar, que não tenho direito de querer uma vida melhor, que devo morrer sem atendimento médico, que não posso ter acesso a educação de qualidade, que devo “voltar para a África”.

EU NUNCA ESTIVE NA ÁFRICA!

Eu não sei, eu não quero fazer parte deste país, eu não quero ser atendido por um médico rancoroso, que recebeu um carro do seu pai por passar na faculdade pública, que ROUBOU a vaga de alguém sem condições de fazer um cursinho. Eu não quero a minha vida nas mãos de pessoas que querem mais é que seus colegas estrangeiros cometam erros, que matem cidadãos. E A DROGA DO JURAMENTO QUE FIZERAM AO SE FORMAR?

{Atualização}

No vídeo acima, a médica loira, (pelo sotaque, nordestina), chama o funcionário negro de “cachorro” e “morto de fome”.  Eu não achei o vídeo de uma matéria feita depois, mas o funcionário chegou a alegar que ela disse que, se um dia dependesse dela para alguma emergência, ele morreria.

 

{Fim da atualização}

Eu estou doente, enjoado, indignado, eu estou podre. Eu morro por dentro cada vez que vejo uma figura de branco desejando a morte do povo em nome do dinheiro.

Sei que o Governo está pisando no calo de todos agora, mas vocês já lucraram muito, deram as cartas por muito tempo. Como é estar do outro lado agora?

Xenófobos, racistas… Eu tenho vergonha de morar no mesmo país que vocês.

medicos

(Foto: Divulgação – Jarbas Oliveira/Folhapress)

esquenta

Antes de começar um texto sobre racismo e as minhas posições eu preciso dizer por que o assunto me atinge.

Minha mãe desde cedo pregou que eu não sou negro, sou moreninho e por isso não devia levar em consideração qualquer piada ou restrição que existisse contra negros.

Mas na primeira besteira que fiz na rua (entortei uma cadeira do bar, aquelas de ferro, brincando com um amigo), eu ouvi do dono de uma padaria (branco, claro):

– Só podia ser preto.

Não adiantou eu ter pedido desculpas, ter desentortado a cadeira (bem, mais ou menos), o padeiro queria desabafar e soltou essa máxima que ainda hoje é possível ouvir essa barbaridade dessas sair da boca de alguns brasileiros.

Trauma registrado, vamos para o que interessa. Há uns dois anos ganhei ingressos para ver o Comédia Carioca e lá estava um comediante chamado Murilo Couto que, agora exercendo meu lado preconceituoso, se comportava no palco como um daqueles bullies que ficava no fundão da sala de aula, sacaneando outros moleques. Numa das suas piadas (poucas delas refletiam o stand up de verdade, que é analisar sua própria vida e costumes), ele falou que viu Péricles, na época no Exaltassamba, cantar sobre as noites de amor que viveu e a piada consistia em falar que ele só podia estar inventando, porque ele era gordo e feio…

Como eu falei, sou sensível ao assunto e na hora li nas entrelinhas um sussurro: preto!

Eu me senti duplamente ofendido, porque sou preto e gordo! Não, TRIPLAMENTE ofendido, porque sou preto, gordo e feio!!!

Por que cito o Murilo e o Péricles? Porque os dois estão bem empregados graças ao trabalho que desenvolvem: Um é roteirista e integrante da equipe do Agora É Tarde com Danilo Gentilli e o outro é integrante da equipe do Esquenta, da Regina Casé.

Mas o curioso é que, por mais que o programa do Danilo seja sobre piadas e muitas vezes os textos fazem piada sobre o comportamento do trabalhador, do gay, do negro, do político (por que não?) ou de uma celebridade, o programa é recebido com seus merecidos elogios, mas um programa como o Esquenta, que fala sobre a periferia, é tratado como algo ruim.

Um rapaz de um blog que não merece ser citado aqui diz que o Esquenta reforça estereótipos. Discordo, o programa não inventa a moda, só pega o que está acontecendo nas comunidades e levando para a TV.

O rapaz em questão é negro e diz que existem muitos negros poliglotas, apreciadores de música clássica, que gostam mais de livros do que de pessoas, e que nem sentem falta do feijão quando viajam.

Eu, com 34 anos nas costas e dois terços de minha vida morando em áreas pobres, preciso dizer que devo ter conhecido pouco menos de 10 negros que falam mais de duas línguas, talvez o mesmo tanto que leia mais de cinco livros por ano e sobre o feijão, é uma realidade econômica: o brasileiro está se alimentando mal, deixando de lado o arroz e feijão e caindo na massa ou fast food.

Isso não quer dizer que essas pessoas não querem aprender outras línguas, não se interessem pela leitura ou não gostem do bom e velho arroz e feijão. Para mim isso é apenas uma questão de oportunidade.

Assim como temos negros e negras que querem viver da dança e do futebol, temos brancos que, se pudessem, viveram disso também. Mas se você perguntar para as pessoas que dançam e cantam no auditório do Esquenta, eu tenho certeza que vai encontrar pessoas que querem ser médicos, taxistas, enfermeiros, empresários, lutadores, biólogos, professores universitários, ter uma loja de doces, uma padaria e, claro, ser cantor, apresentador ou dançarino.

Mas uma coisa todos eles sabem que são.

São negros e negras que finalmente estão se vendo na TV. Se não gostam do que vêem, façam melhor ou simplesmente desligue a TV.