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Em casa, com roupinha velha, descalços e caneta com super-heróis em quadrinhos estampados. Foi assim Ana Cristina Rodrigues e eu assinamos o nosso contrato com a editora Claro Enigma, que faz parte da Companhia das Letras, para produzir um grande trabalho histórico-biográfico em quadrinhos.
Obrigado aos que torceram e quando der contaremos mais novidades!

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Hoje é o aniversário da mulher que me importou para o Rio de Janeiro. Num empreendimento ousado, ela me disse que a necessidade de convivência diária inviabilizaria a distância.

2013-12-13 17.45.22Ou você vem para cá ou terminamos. Então eu vim morar com Ana Cristina Rodrigues.

Desde então foi um desafio atrás do outro. Procurar trabalho, encaixar na vida a dois um garoto de seis

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anos. Encarar os preços exorbitantes do Rio, as pequenas distâncias feitas em horas por causa de trânsito, escrever, desenhar, provar que é possível viver de um projeto de vida. Tudo com ela ao lado, às vezes também na dianteira, muitas vezes também na retaguarda.

A Ana se cobra muito porque acredita que o que ela fez não foi o bastante.

Ela simplesmente ajudou muitos escritores, participou de grupos de discussão, leu originais de amigos, deixou de ganhar e de produzir seu próprio conteúdo para difundir o conteúdo alheio.

Tanto que virou presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica, a primeira mulher a estar na frente de uma associação (e talvez um gênero literário) predominantemente masculino.

Antes do povo médio saber quem era George R. R. Martin e de posarem de grandes conhecedores de Úrsula Le Guin, Ana indicava e discutia sobre os autores.

ana_martinAntes de livros de fantasia atingirem o sucesso (ou pelo menos editoras) por aqui, ela os indicava para leitura.

Ana não quer provar que sabe mais. Numa discussão recente ela poderia ter dito que é Mestre em História Medieval pela UFF, mas basta saber que ela tem paixão pelo tema para não reduzir o que sabe a um título.

Ana produz muito e, se você não conhece seus mais de 30 contos publicados, é porque esse material está condenado a pequenas impressões sem ousadia, e talvez nunca chegue as tuas mãos.

anacronicasMuitos podem pensar na Ana Cristina como a pessoa que escreve comentários sarcásticos – porém verdadeiros – sobre os bastidores da literatura brasileira, ou das suas predileções por programas e filmes. Lhes convido a conhecer a Ana escritora, a Ana rara de se ver, porque entre uma tradução, o trabalho e a paixão de ser mãe e esposa, funcionária federal de uma instituição da biblioteca nacional e editora, esta Ana reprimida e relegada a segundo plano é a Ana que merece estar em todas as livrarias e é a Ana com quem troco idéias de histórias, de quem ouço e conheço os melhores mundos.

Parabéns para a minha esposa, escritora, historiadora, mãe e apaixonante Ana Cristina Rodrigues.