Não tenho como explicar o sumiço, ou a falta de disciplina com este blog, mas quem acompanha Os Passarinhos sabe que eu não estou parado.

Gostaria de escrever um pouco mais da vida carioca, mas pouco tenho feito, senão trabalhar, trabalhar e trabalhar dentro do quarto em minha casa usado idealizado como um mal arrumado escritório.

Além de roteirizar cartilhas, tenho me dedicado aos Passarinhos, que já me deram boas notícias: Eles foram publicados na revista MAD #17, que é a deste mês e marcarão presença na MAD #18.

Além disso, os personagens, com apenas um mês de vida, são agenciados pela Intercontinental Press, empresa que cuida da distribuição de tirinhas em quadrinhos do Hagar, Fantasma, Garfield, Snoopy, Mutts e outros. Agora é produzir e esperar que os jornais se interessem pela tirinha. Torçamos e acompanhe o blog dos Passarinhos!

 

Mais uma tentativa de reconciliação com São Paulo…

Na última sexta, decidi em cima da hora ir ao 21º Troféu HQMIX, evento que premia os que mais se destacam na área de quadrinhos no Brasil. Decidi pegar minha mochila, encher de livros e partir pra luta, vender meus produtos por lá. Como só consegui pegar o ônibus na rodoviária do Rio das 13h30min. A previsão para chegada era de seis horas.

Tudo correria perfeitamente bem, claro! Eu chegaria à rodoviária do Tietê às 19h30min e chegaria ao SESC Pompéia no máximo com 15 minutos de atraso. Isso não aconteceu. Cheguei à rodoviária às 20h40, devido ao famoso trânsito paulista. Encontrei um “nativo” legal, prestativo, que me falou da parte “nova” da estação da Luz, que me faria economizar um bom tempo no metrô. Digo “nova” porque existe há quase um ano e ainda não colocaram no mapa mostrando as estações do metrô.

Aproveitei que uma senhora com a sua criança e uma mala iam para o mesmo trem e a ajudei com a mala.

Dentro do trem, um senhor pedia ajuda as pessoas. Ele não tinha uma perna e pedia ajuda, ora para comprar uma prótese, ora para pagar a passagem da filha e dele para voltar pra casa, sabe lá Deus onde é.

Como poucas pessoas prestavam atenção nele, este senhor começou a perguntar diretamente as pessoas se podiam ajudar ou não:

– Ei, você de cabelo louro. Não vai me ajudar não? E, você? Vai dar uma ajudinha?

Ele chegou perto de mim.

– E aí, o senhor vai me ajudar a completar a passagem?

Eu já estava atrasado e cansado. Virei para o homem e o encarei nos olhos.

– Você sabia que você está CONSTRANGENDO as pessoas? – Falei.

– Como assim? – Perguntou o homem, sério, me olhando nos olhos. Se não estivesse com as duas mãos nas muletas, teria partido pra cima.

– Do modo que você pergunta para as pessoas, parece que vai assaltar se ela não der! Pedir já é feio, do modo que você está fazendo é de deixar puto!

– E como devo perguntar? – Perguntou me encarando.

– Como estava fazendo antes. Ninguém é obrigado a te dar nada aqui, cara. Não aborde as pessoas diretamente. – Me virei para o vagão e gritei. – Se alguém tem CONDIÇÕES e QUISER ajudar este homem, ajude. Ele NÃO VAI te abordar como se tivesse te assaltando mais!

O homem foi mais pra frente e perguntou: – Vou ver se dá certo, hein? Alguém pode me ajudar?

Cinco ou seis pessoas deram dinheiro a ele.

– Não é que deu certo? Vamos ficar rico, filha! – Falou o homem, antes de sair do vagão. A minha parada era a próxima.

Depois de andar uns quarteirões, cheguei ao SESC, evento já findando a primeira hora, ou seja, ninguém para se vender quadrinhos ou meus livros. Vi a mesa do Quarto Mundo e da HQMIX Livraria na frente. Dias antes pedi à livraria para ceder um espaço para colocar três produtos meus, recusado. Paciência.

Fui para o evento em tempo de ver a galera conhecida, que estranhamente não me reconheceram. Todos com pressa, todos já tinham feito o social antes de chegarem, todos com seus prêmios em mãos… Vendi uma HQ ou outra e aconteceu uma coisa estranha, na verdade, uma coisa recorrente nesses eventos.

Quando apresento meu trabalho para alguém, um editor, não importa o calibre, ou um ilustrador mais ou menos famoso, eles nem fazem menção a COMPRAR meu produto, feito com suor e publicado com trabalho.

Eles simplesmente embolsam, por acharem que estão fazendo um favor para gente. Se ao menos lessem o material e dessem um retorno, isso não acontece. Simplesmente olham o livro e falam: – É pra mim?

Caramba! Vou para um evento com o MEU DINHEIRO, não estou a uma estação de metrô de distância, me esforço para estar nos lugares para ter meu trabalho rifado por pessoas que estão por cima agora, mas já estiveram na mesma condição que eu (ou não, muitos foram financiado pelos pais…), que não metem a mão no bolso para comprar o material, nem ao menos perguntam o preço.

Reconheço que parte disso é da minha culpa, porque não tenho um espírito mercenário de recuperar a grana investida. Estou errando nisso, tentando acertar com Os Passarinhos e outros trabalhos que virão. Mas gostaria do que ouvir (ou ler) que mais do que algo do gênero “Estevão é um dos caras do cenário independente que mais produz”. Quero ver essa gente COMPRANDO o que produzo, também, se não for pedir demais!

Há umas semanas tive a grata surpresa de ler a resenha do meu livro “Enquanto Ele Estava Morto…” no site Aguarras , escrita pelo escritor, roteirista e tradutor Eric Novello muito interessante, primeiro porque foi elogiosa ao livro, o que me deixou honrado, mas o fato marcante é que Eric COMPROU o livro, o que lhe “isenta” de certos cuidados com o autor, sabe? Ele não me “devia” uma crítica positiva, mas alguns resenhistas são influenciados pelo fato de ganharem um livro e precisarem “prestar” contas do “presente”. Tantas aspas, não?

Voltando ao HQMIX, a festa é maravilhosa, são 20 anos de prêmio, o teatro do SESC fica quase lotado, mas pede renovação. Levem seus filhos, sobrinhos, primos, pois é um evento que a garotada precisa ir. E além do mais, podemos sempre encontrar o Mauricio de Sousa por lá, além do Laerte, Angeli e grandes nomes dos quadrinhos nacionais. Encontrei a galera do Quarto Mundo , e do comi pizza paulista com o pessoal do Universo HQ, tive que agüentar aquela piada VELHA que não se coloca catchup em pizza, que não existe pizza fora de São Paulo, etc… Mas tenho que concordar que nunca comi uma pizza como a de São Paulo… Até porque não comi apenas uma!

A noite acabou de repente, todos foram pra casa e eu me vi só na Pompéia, pensando se ia curtir a noite de Sampa ou se voltava pra casa. Peguei um táxi e consegui pegar o último ônibus para o Rio.

Balanço da viagem? Não sei ainda. Fiz contatos, mas conversei com poucas pessoas, não curti como poderia e a noite acabou cedo. Vamos ver o que me aguarda.

Quando cheguei à Niterói, tive uma sequência de boas surpresas:

– Ao folhear as revistas da Turma da Mônica, vi que na edição 32 do Cebolinha saiu uma história minha, A Eleição. Depois de algumas histórias recusadas pelo Maurício, tentei ler mais, estudar o estilo, que muitas vezes me escapa, talvez pelo desconhecimento dos temas que podem ou não ser abordados nas histórias da Turminha. De qualquer forma ver esta história ser publicada me fez pensar que tenho que, além de cuidar os Passarinhos, das cartilhas, de um outro grande projeto que está despontando com meu amigo PJ, Pequenos Heróis, dois livros parados e arrumar uma forma de ganhar dinheiro, preciso de escrever algumas histórias para a Turminha, coisa que não faço desde junho…

Olha a capa do Cebolinha:

Olha a primeira página da história (a terceira da revista):

Ó a página de roteiro:

Então, quem quiser conferir a história de seis páginas, corra para as bancas!

Como meu sábado ainda não tinha acabado, cheguei em casa da viagem e fui saudar os três gatos de casa: Migalhas, Leão e Becca, a gata que estava grávida… e agora, não está mais! Cinco gatinhos famintos cobriam a gata de pequeno porte, mostrando que serão dias complicados os dessas semanas! Logo postarei fotos dos gatos aqui, porque eles vão precisar de lar já já…

Pequenos Heróis: Editora Anunciada!

 

Arte por Mario Cesar

Arte por Fernanda Chiella | Arte por Jaum

Mais tarde, ao acessar a net, deparo-me com a mensagem de ninguém menos que Carlos Costa, da HQM Editora, e então, acabou-se o segredo: Posso revelar agora que os Pequenos Heróis vão sair pela editora responsável pelo Leão Negro, Invencível e Mortos Vivos! A editora é, de longe a maior investidora de quadrinhos se “Supers” brasileiros, e trará pessoal consagrado nesta Internet de Deus para o bom e velho papel, como Danilo Beyruth, Nestablo Ramos, Daniel HDR e outros!

Para saber mais detalhes, leia no site da editora!

Bem, como podem ver, trabalho aos tubos, peço compreensão e não deixem de aparecer, tentarei ser mais disciplinado nas atualizações!

Abraço!