Ontem recebi uma notícia boa de uma livraria em Vitória.

As últimas edições de que tenho notícia de Contos Tristes foram vendidas. 53 exemplares vendidos para a Prefeitura de Vila Velha, para as bibliotecas locais (imagino).

Esta publicação, que demorou mais quase cinco anos para ser publicada, nasceu de um projeto híbrido de quadrinhos com literatura.

A idéia era fazer uma história troncal em prosa, onde um médico legista sem respeito pelos mortos está pronto para abrir uma garota. Só que ela acorda e apresenta a história de cada um dos mortos daquela sala. Estas histórias eram em quadrinhos curtas, umas em diálogos, outras em versos, mas todas em quadrinhos. Cada uma com um artista convidado.

Mas quando se mete num trabalho grande, com a participação de pessoas num esquema de cooperativa (ou seja, sem grana, apenas a garantia de publicação e uma quantia de exemplares), precisamos estar dispostos a esperar. Esperar muito.

As histórias em quadrinhos estavam prontas, a parte em prosa não saiu por causa do excesso de trabalhos na época.

Deixei Contos Tristes de lado até os artistas me entregarem o trabalho. Alguns demoraram semanas, outros meses, outros não entregaram. Assim, um projeto inciado em 2003 ficou incompleto até 2007.

Até que surgiu o Prêmio Capixaba de Literatura, com prêmios em diversas três categorias: Romance, Poesias & Crônicas e Infanto Juvenil.

Peguei o projeto, retomado quando encontrei Mário César (Entrequadros), que ilustrou a última história pendente (as outras foram resolvidas com contos em prosa, poemas e ilustrações) e o coloquei no Prêmio.

Resultado: 2º lugar na categoria infanto-juvenil. Prêmio: 500 exemplares por uma obra incompleta.

Mais tarde, uma indicação para o HQMIX como melhor álbum independente especial.

Agora que Contos Tristes esgotou (temos apenas alguns exemplares na Comix, HQMIX e TRAVESSA), penso se vale à pena republicar o trabalho como deveria ser: um livro intercalado por quadrinhos. Será que rola?

Enquanto não decido, fique com a última história a ser feita: A Demente.

Existe uma curiosidade sobre esta hq. Por algum tempo, ela foi “amaldiçoada”.

Três desenhistas pegaram para desenhar, mas todos a deixaram, impedidos por compromissos. O Mário foi o quarto, e logo depois Contos Tristes foi publicado.

Quatro anos e meio depois de eu ter começado um projeto onde não tinha espaço para finais felizes.

CONTOS TRISTES saiu no final de 2008, com 52 páginas, capa colorida, miolo p&b e muitas lágrimas.