abril 2009


buzina1

 

Carioca ADORA buzinar.

Onde você estiver, onde couber um carro, ali estará um descontente com a vida, apertando uma buzina.

Utilizado originalmente como um acessório de alerta, a buzina nas hábeis mãos do estressado carioca serve como um recurso de comunicação pouco eficaz ao meu entender, mas amplamente usado.

Vão cruzar uma rua? Buzina! O sinal abriu e dois segundos a fila de carros não andou? Buzina! Está entediado? Buzina neles! Mas também tem o uso responsável da buzina, como recurso de censura.

 Ah, vai se >BIIIIIIIIIIIII!<

– Vai você, seu >BIIIIIIIIIIIII!<

– Enfia essa >BIIIIIIIIIIIII!< de buzina no >BIIIIIIIIIIIII!< da sua mãe!

Lembro das dores de cabeça freqüentes dos primeiros dias nas ruas do Rio. Não é despeito, juro.

Logo alguém falará que em São Paulo o trânsito é pior, e com certeza estarão certos. Mas o pessoal não buzina como no Rio, por motivos óbvios. A buzina não é um cajado, o trânsito não é o Mar Vermelho e definitivamente, e motorista não é Moisés.

Bem, deve ter uma porrada de “Moiséses” por esse Brasilzão, mas vocês entenderam o que eu falei. Em Vitória/ES, o trânsito anda mal. A pequena ilha tem apenas cinco acessos entradas/saídas, o que transforma a ida pra casa num caos. A buzina come solta em alguns cruzamentos, mas na maioria dos lugares, só caras de insatisfação dos motoristas, que vêem no carro ao lado um companheiro de angústia.

Se bem que algumas vezes os olhares são de inveja, por você estar derretendo num carro sem rádio e/ou ar condicionado, enquanto vê um cara ao lado se sacudindo em seu carro de vidro fechado, curtindo a viagem. Aí, sobra apenas buzina, para exercer o desejo irracional de ser inconveniente. Fiz isso uma vez, quando cozinhava sob o sol das 15h no trânsito de Vitória, devido a uma obra numa das cinco vias. O que dizem no Centro de Vitória é que, se um cão for atropelado em quaqluer rua, o Centro pára.

Minha amiga no volante, eu me estressei e apertei a buzina. Dois minutos depois de silêncio, a gente ainda estava no mesmo lugar.

Ela me pergunta: adiantou algo? Você gostaria de ficar ouvindo buzina toda hora?

Não respondi, fiquei quieto, como o trânsito.

Depois me mudei para o Rio, e hoje atravesso as ruas acompanhado por um coro de buzinas…

Antes de contar as minhas histórias vividas no Rio de Janeiro, explico a você, leitor, de onde vim, assim ficará mais fácil entender porque esta cidade me assusta, estressa e fascina tanto. Falemos do Espírito Santo.

O Espírito Santo é o estado esquecido da Região Sudeste, ignorado por São Paulo, sacaneado pelo Rio de Janeiro e tomado por Minas Gerais nos feriadões.

Temos nossos “heróis nacionais” , temos José de Anchieta, um padre que catequizava índios e Maria Ortiz, que expulsou holandeses jogando água quente. Ela até ganhou uma escadaria com seu nome, e hoje os mendigos despejam coisas mornas nela, e lhe garanto que não é água.

Sua capital, Vitória, cidade onde nasci, já foi considerada a 3ª capital com melhor qualidade de vida, mas depois do anúncio, a vagabundada migrou pra cá e a transformou em 4ª, e agora que a Petrobrás descobriu petróleo naquelas terras, não imagino o que a pequena ilha irá se transformar.

O cidadão que passou a sua vida toda em Vitória ou na Grande Vitória (que compreende Vitória, Serra, Vila Velha, Cariacica e Viana) não conhece metrô, nem trem, nem barca, ou seja. Vive a sua vida SOBRE a terra, com seus pés fincado no chão, sempre passando por pequenas pontes, tendo que entrar ou sair da ilha de Vitória.

A Grande Vitória tem um sistema eficaz de transporte chamado Transcol, que ligam as regiões por terminais rodoviários onde se paga apenas uma passagem, ou seja, para você sair de um município, atravessar vitória e chegar a outro município, você paga R$ 2,00.

Somos conhecidos apenas como “a praia de Minas Gerais”, o Estado que separa a Bahia do Rio de Janeiro e Minas do mar, mas digo que, nessas atribuições, somos muito bons, porque a combinação de Bahia com Rio de Janeiro não ia ser legal e mineiros não sabem nadar, se é que me entendem.

Sim, a fábrica da Garoto fica em Vila Velha, município vizinho a Vitória, e não, eu nunca fui à fábrica. As pessoas acham que é só assim, aparecer na porta da fábrica e pedir para entrar e ver como funciona! Contente-se com a loja na frente da fábrica, ok?

O Convento da Penha TAMBÉM fica em Vila Velha. O que fica em Vitória? Os hotéis, que também tem em Vila Velha…

Quer saber? Vai pra Vila Velha!

Olá.

Há quase um ano decidi largar emprego, amigos e projetos em terras capixabas para morar no Rio de Janeiro, precisamente em Niterói. No começo rolou um estranhamento, uma ânsia absurda por objetos, lugares e rotinas que se parecessem com a minha terra natal, minha casa.

Quero compartilhar com vocês neste espaço, como foi esse meu começo na cidade, as impressões e as histórias vividas até agora. As oportunidades aproveitadas e perdidas, tentando dar o humor que é cabido em cada pequena aventura.

No próximo post, o blog exercerá o seu dever de mostrar a um bocado de desinformados ONDE É O ESPÍRITO SANTO, o que se faz naquele local para se viver e se divertir. Como pode ver, o próximo post será curtinho, curtinho…

Até lá,

Estevão Ribeiro