abril 2013


Bem, mais um tema sério aqui (droga, assim vou ter que mudar o nome do blog), mas eu acho que este texto tem umas curiosidades que podem te interessar. Quero lhe falar sobre o Funk carioca.

Alou? Você ainda está aí? Que bom! Continuando:

É corriqueiro ver o pessoal do Rock falar mal do Funk e o pessoal da MPB  falar mal do Funk, é até mais raro ver o próprio pessoal do Funk reclamar do caminho que o Funk está tomando, mas eu vejo bem menos o pessoal do Funk falar mal da galera do Rock.

Até porque quem gosta de geralmente gosta de Pagode, de Samba e acredite, de Rock.

O som que vem do morro “é de preto, de favelado” e ligado ao subúrbio, como disse o DJ André Werneck numa festa na Zona Sul. Ele disse que não tocaria funk porque o lugar onde ele tocava é de outro nível, (esse sou eu simplificando a fala do cara).

Funk é ligado ao tráfico porque é o som preferido pelos traficantes. Se algum traficante for amante de música clássica, esta será discriminada também ? Se bem que é capaz do traficante ser discriminado, não o gênero musical.

Uma das coisas que mais falam sobre o Funk é a apologia ao consumo de drogas, à violência e ao sexo precoce.

A jornalista Rachel Sherazade chegou a fazer uma comparação, dizendo Bossa Nova é luxo e Funk é lixo.

O mais interessante é que a música mais representativa do Funk carioca fala de violência, mas em forma de protesto.

“Eu só quero é ser feliz” (da dupla Cidinho e Doca)  fala do morador que quer ter o direito de ir e vir onde ele mora. Em momento algum faz alusão à sexualidade.

Já a música mais famosa da Bossa Nova (e a segunda mais regravada no mundo, segundo a propaganda da Folha), foi composta por dois senhores e é sobre uma menor de idade (Helô Pinheiro tinha 16 para 17 anos no ano de composição da música) “que passa num doce balanço a caminho do mar”. O que vocês acham que balançava? O cabelo? Os braços? O corpo inteiro? Ou era o bom e velho (nesse caso, o novo) popozão?

Aí, as pessoas se escandalizam quando um funkeiro canta “Mexe, novinha”. Claro que existem exemplos pesados, proibidões, coisa pesada mesmo.

Mas se o Funk faz escrachado, a MPB se valia de metáforas para falar de atos sexuais.

A música “Anjo”, de Claudio Rabello, Dalto e Renato Correa) , ao meu ver (talvez minha mente esteja me pregando uma peça), mas relata uma transa. E ao que parece, entre um experiente e uma virgem.

Já a música “Sonho de Amor”, de Michael Sullivan e Paulo Massadas, me parece falar de um sonho (ou de ato) sexual, “com estrelas rodando em carrossel, testemunhas do amor, eu e você”. Detalhe: Patrícia Marx não parecia ter mais do que 14 anos quando cantou essa música…

Se garimpar achamos muitas mensagens nas entrelinhas. Mas fora a sutileza e o escracho, achamos o preconceito de ambos os lados da música brasileira.

Outra hora visitarei o tema novamente, com mais tempo para pesquisa.

Os olhos de hoje distorcem o passado.

Eu sou uma pessoa que trago, inconscientemente por opção, a bagagem do meu passado triste.

Na época ele não era tão triste, mas olhando de agora, percebo que a visa só não era mais complicada porque minha cabeça não entendia a situação.

Eu morava com a minha mãe e mais cinco irmãos em Itararé, na ilha de Vitória/ES. Minha mãe fazia bicos e minhas irmãs, quando não moravam na casa de parentes para diminuir os custos em casa, viviam como domésticas, dormindo no serviço.

Não é difícil achar hoje uma família que passou necessidade, que não teve conforto na vida. No meu caso, eu não sabia o que era conforto. Se eu não sabia, como eu poderia sentir falta? A ignorância, ou a própria ausência de um momento máximo de felicidade me tornava uma pessoa que, em meu cotidiano, era feliz.

A raridade dos acontecimentos tornava pequenos momentos felizes. Minhas Havaianas eram usadas com grampos segurando as tiras, até fazer um furo nos calcanhares. Ganhar uma nova era um momento mágico.

E quando ganhei um Ridder? Eu era o garoto com bolhas nos pés mais feliz do mundo!

Eu ia ao barbeiro a cada três meses. As pessoas me reparavam, os amigos davam tapas, “estreando” o visual. Outros perguntavam se eu tinha ido parar na Febem. Era uma piada maldosa, mas reparavam no cabelo, né?

Talvez o momento mais crítico era a alimentação.

Pão era algo raro, mas vez ou outra tinha. Eu, assim como meus irmãos antes de mim, era responsável por trazer o pão para casa, fazendo um pequeno trabalho na vizinhança. Nós levávamos peças de biquinis para duas irmãs, que trabalhavam em casa. Uma costurava e a outra arrematava. Como moravam há cerca de 2 quadras, usavam crianças para levarem as peças de um lugar ao outro. Assim ganhávamos um troco, o equivalente a um real, mais ou menos, pelo trabalho.

Mas quando faltava o pão, a solução era fazer bolinhos de farinha. Trigo? Não, muito caro!

Minha mãe fazia um bolinho de farinha de mandioca, algo simples para enganar a fome: Farinha, água e sal (eu acho que um ovo), frito no óleo.

Era algo enjoativo, mas era comer isso ou um copo de café com farinha. Ou farinha com açúcar. Ou abacate com farinha e açúcar, quando conseguíamos um abacate na vizinhança.

No almoço era arroz, feijão (ralado, para render, misturado com farinha no prato, para dar consistência) e ovo. Na verdade, a minha mãe fazia milagres: pegava dois ovos, fazia uma omelete para cinco ou seis pessoas.

Raramente tivemos geladeira, então carne era raridade. A não ser a linguiça. Uma “perna” (peça) e meia devia render para a família inteira. Resultado? três fatias pequenas de linguiça para cada um.

Ainda tinha um espertinho que tentava comer uma fatia antes, e a minha mãe dizia:

– Se comer agora, vou descontar na hora do almoço.

O suco, quando tinha, era de cajá, que pegávamos na casa de minha avó. O cajazeiro me salvou da fome algumas vezes. Outras vezes foram os vizinhos, que nos davam alguma coisa quando faltava.

Comer em casa não tinha graça. A comida era pouca e comíamos relativamente cedo, por já estar com fome do café da manhã. Quando eu ia para casa de algum amigo e a mãe dele me perguntava se eu já tinha almoçado, eu simplesmente dizia que sim, e ficava olhando o prato dos outros com um arrependimento aparente.

No começo do mês, tínhamos galinha, que durava uma semana. Passei a gostar muito de algo que eu fazia, por mim mesmo: pegar o caldo da galinha, misturar com farinha e desfiar o pequeno pedaço que me davam (geralmente pescoço e pé) no meio, com arroz. Eu chamava aquilo de arroz de doido.

Eu ainda chamo.

Os meus olhos de agora vêem a situação de pobreza extrema (nossa casa caiu e a família se dividiu para casa de parentes para nunca mais se juntar)  como algo triste, mas pensem que, aquele menino via tudo com uma felicidade simples. Muita vergonha, muitas dúvidas, de vez em quando.

Quando cresci um pouco mais e comecei a questionar o fato de eu não dispor das coisas que meus amigos tinham, eu procurei outra forma de ser feliz. Foi nessa época em que me mudei para Andorinhas, também na ilha.

Morei a uma quadra da maré, ainda uma família grande. Mãe, duas irmãs, um irmão e um sobrinho. A situação era crítica e logo meu irmão foi mandado embora de casa (aos 14 anos). A inocência havia acabado. A família diminuía, as coisas não melhoravam, e raramente eu conseguia ver a felicidade de perto.

Fiz parte da Banda Marcial Ceciliano Abel de Almeida, tocando surdo, depois um surdão. O pagamento era lanche nos eventos que tocávamos. Conheci o “cachorro-quente” nessa época. O tradicional pão com carne (carne moída no pão) era tradicional nesses eventos. Eu sempre escondia um desses para levar para a minha mãe.

Quando a situação ficou ainda pior e mudamos para às margens do mangue, ainda em Andorinhas, que paramos de passar fome: eu catava mariscos na maré baixa e pescava nas margens ou nas pontes em palafitas na maré alta.

Se os peixes não viessem, os mariscos faziam a festa.

Aos 13 anos, minha irmã me deu um dinheiro e eu comi pela primeira vez um hambúrguer. Aquela explosão de sabor, eu comia devagar, com pequenas mordidas, para fazer durar mais.

Mas quando eu passei perto de um ensaio de festa junina, um amigo pediu para dar uma mordida e ele comeu metade do hambúrguer.

Eu fiquei tão chateado que, quando ele passou de costas para mim de mãos dadas com os outros fazendo uma roda, eu o soquei nas costas. Muito forte, a ponto de ele nunca esquecer e me devolver esse mesmo soco meses depois, durante o ensaio da banda marcial. Eu achei que ia morrer quando não consegui respirar.

Andorinhas fica na margem oposta da Universidade Federal do Espírito Santo, e por causa disso muitos amigos meus iam comer no refeitório de lá. Eles conheciam até o que era servido nos dias da semana, e sempre me convidavam. Um dia, movido pela curiosidade e pela fome, aceitei. Enquanto cruzávamos o bairro em direção à UFES, ele me explicou como conseguia a comida.

Eles abordavam os garotos na fila, pedindo um ticket para entrar no refeitório. Eu achava que eles tinham algum esquema, conheciam alguém ou era como uma escola: você entrava numa fila e comia.

Quando eu vi que eu teria que pedir pela comida, foi que eu entendi a vida que me rondava. Eu não queria aquilo para mim, virar um pedinte na fila de um bandejão.

A partir daí minhas lembranças foram passadas a limpo. Tive uma vida de dificuldades ainda por muito tempo, e sim, comi naquele bandejão da UFES, no meu segundo dia do curso de Artes Visuais.

Hoje vejo muitas das causas do meu peso deve-se ao fato de que nunca aprendi a comer direito. Antes, eu só não tinha o que comer, ou poucas opções. Hoje, com algum recurso, eu acabo exagerando e encarando como falta grave deixar algo no prato. Isso resultou num aumento de 60kg, da minha adolescência para a fase adulta.

O que procuro agora é encontrar a combinação perfeita: não passar fome, mas não me privar alguns caprichos.

Parece simples, mas não é.

Começou assim, de forma simples:

– Farei uma torta capixaba para a sexta-feira santa!

A minha esposa olhou com naturalidade. Carioca da gema, eu em solo carioca…

– A mamãe sempre faz bacalhau com batatas.

– Ela pode até fazer, mas eu quero fazer uma torta capixaba também, ué!

– Tudo bem, só não coloca o tal de coentro! Vocês, capixabas, têm mania de colocar coentro em tudo!

– Tá. Mas vai ter que aceitar o sururu (mexilhão)!

– Então tem que ir no Mercado de Peixe. Não dá para confiar em mexilhão da rua.

– Ok.

Esperei ela e minha sogra no mercado. Chegamos lá e cometi o erro de principiante. Comprei o sururu e o camarão na primeira barraca. O que vi depois foi uma diferença de preços tremenda, nada que ferisse tanto o bolso, mas o orgulho, ah! O orgulho. Este sim estava ferido.

– Tem caranguejo desfiado – perguntei.

– Não, só siri.

O lance é que a torta capixaba, leva uma pá de coisas:

  • Cebola, alho, azeite doce, azeitona, limão, coentro, cebolinha verde, tomate a gosto;
  • ½kg de palmito natural previamente cozido;
  • 200gr de siri desfiado e cozido;
  • 200gr de caranguejo desfiado e cozido;
  • 200gr de camarão cozido;
  • 200gr de ostra cozida;
  • 200gr de sururu cozido;
  • 200gr de badejo desfiado e cozido;
  • 500gr de bacalhau desfiado e cozido.

– Eu acho ostra nojenta – disse a Ana.

– Então não vai entrar nem o coentro, nem a ostra, mas também não entra a azeitona…

– O quê?

– Isso mesmo! E nem o caranguejo, porque nessa #$%¨&* de lugar não tem!

– Duplica a quantidade de siri – minha sogra agindo.

– Ok… e a ostra?

– Podemos colocar lula – a Ana agindo em causa própria.

– Tá. Compremos o que der e vamos ver no que dá.

Saímos do mercado com duas sacolas grandes de frutos do mar. Tentamos pegar um táxi em vão e esperamos cerca de meia hora no Sol com os peixes. Não fui a pessoa mais amada do ônibus. Nem em casa, porque no dia seguinte a geladeira ficou fedida.

– E vamos para a cozinha!

Descascamos camarão, cozinhamos todos os frutos do mar, cortamos, desfiamos os peixes, bati seis ovos com claras em neve que deu a liga dos frutos do mar e a espuma característica da torta.

– E está pronto!

tortacapixaba

Olhem aí o resultado! Como também não pude usar cebola, a decoração ficou por conta do ovo cozido…

A família portuguesa, com certeza, olhou para o prato na panela de barro. Meus concunhados não comeram. Um porque é alérgico a camarão e o outro é cozinheiro… Minha cunhada apreciou meu esforço e, mesmo odiando camarão, pegou um pouquinho.

Miguel, meu enteado, fez a parte dele: comeu, elogiou, mas não quis mais um pedaço…

Meu sogro gostou. Minha esposa adorou. Minha sogra gostou.

Deu certo, né? Se bem que…

Meu sogro achou que fiz muita torta. Ora, era para uma família de dez e apenas quatro e meio comeram…

– Mas gostou mesmo? – perguntei a Sogra.

– Gostei. Acho que tinha muita coisa.

– Ah, bom… E você, Ana?

– Eu gostei, mas faltou algo… talvez coentro.

– COENTRO?

– É.

– Tá, vou confessar que a azeitona poderia ter feito a diferença…

– É verdade – disseram quase em coro.

– Acho que devemos fazer essa moqueca de novo, só que com menos coisa – minha sogra incentiva.

– É! Muito palmito e bacalhau – disse Ana.

– Palmito não, batatas! – estala os dedos a minha sogra.

– Bacalhau com batatas? – disse eu, ofendido.

– É, mas na panela da barro – disse ela, respeitosamente.

Eu não acredito que seria interessante escrever de forma cronológica por aqui, até porque são quase cinco anos de “altas confusões com uma galera do barulho”, então vou contar as passagens de acordo com o meu humor, tá?

Mas não poderia deixar de contar algo que me aconteceu há duas semanas.

Fui ver o filme Os Croods, um filme até interessante e em alguns momentos, emocionantes. Atualmente meus olhos têm se enchido de lágrimas quando vejo QUALQUER filme, pois como um dos meus sonhos é emocionar com um trabalho cinematográfico, quando eu vejo um trabalho bem feito, eu me emociono pelo trabalho, muitas vezes mais do que pela história.

The Croods Movie

Os Croods foi um pouco de tudo. Mas não vou falar do filme, não é o foco deste post. Eu quero falar com vocês sobre uma conversa que tive, bem curtinha até, com um rapaz qual não lembro o nome (estou sendo sincero, porque não seria justo dar um nome aleatório a esse cara), enquanto esperava a hora de ver o filme.

Sentei numa das poltronas saguão de cinema do  Botafogo Praia Shopping e esse rapaz sentou na minha frente.

Óculos  fundo de garrafa, cordão, camisa do Fluminense, já com alguma idade e com Síndrome de Down, acompanhado com mais dois amigos, também Downs, e duas mulheres, parentes deles.

– Você vai ver qual filme?

– Os Croods, respodi.

– Eu já vi. É muito bom!

– Legal! E você, vai ver o que agora?

– Duro de Matar.

Ele falava um pouco alto e os óculos mostravam claramente que ele tinha um sério problema de visão. Eu tinha visto dias antes o filme Colegas, e eu preciso dizer que nunca antes eu tinha conversado com um Down. Não por opção, mas por simples falta de oportunidade.

colegasMas o interessante é essa conversa ter acontecido depois de eu ter me emocionado tanto com o filme dos dois amigos e uma amiga que fugiram do instituto onde moravam para realizar seus maiores desejos. Eu até colaborei com a campanha #vemseanpenn do jeito que eu podia…

Eu considero o que aconteceu uma sincronicidade. Tenho usado muito essa palavra depois de ter descoberto o seu significado, que vou tentar explicar aqui bem rápido.

Sincronicidade é quando você toma conhecimento de algo e, em algum momento, numa aparente coincidência, você vê essa coisa em outro lugar.

Como você saber o significado de uma coisa hoje e amanhã alguém aplica essa palavra em seu convívio social e você a reconhece.

vemseanpenn

– Engraçado, falávamos ontem sobre isso – diz você. Mas muitas vezes, fala-se sobre isso sempre. Você é que não se ligava porque desconhecia. A partir do momento que toma conhecimento, você reconhece o assunto, o nome, a palavra em seu convívio.

Mas então, voltamos à sincronicidade. O rapaz me perguntou sobre o filme eu ia ver.

– Mas Croods é para criança.

– Ué, eu sei… Mas eu gosto de animação… – disse, com uma certa vergonha, mas depois em recuperei.

– E também, sou ilustrador, roteirista… Gosto de ver para me inspirar! – vai que cola, né?

– Você é desenhista?

– Sou! – colou.

– Eu gosto de desenho!

– Legal! – Tirei meu tablet da bolsa e comecei a desenhar para ele e mostrei a minha primeira antologia de tiras  dOs Passarinhos (sim, viraram uma antologia e logo falo dela aqui).

– Muito legal! – o rapaz viu as tiras, o desenho que fiz no tablet e ficou maravilhado. Quando foi me devolver o livreto, não aceitei.

– Mas é seu – disse ele.

– Não, é seu.

– Eu quero também – disse o outro.

– Infelizmente só tenho um, mas você pode emprestar a ele, né?

– Claro!

– Bem, vou indo. Os Croods vão começar agora – coloquei meu tablet na bolsa. Foi aí que eu ouvi algo que me desconsertou:

– Essa sua bolsa é de menina – disse ele.

Eu fui zoado e paguei na mesma moeda:

– Essa sua camisa TAMBÉM é de menina.

Ele olhou para a camisa do Fluminense e gargalhamos.

(desculpa meus amigos do Fluzão)

Corro contra o tempo para fazer deste post meu presente de aniversário. No dia 02 de abril de 1979, exatamente aos 15 minutos do novo dia, eu nasci.

Segundo Dona Jane, minha mãe, ela segurou para que o filho não nascesse no Dia da Mentira. Mas como minha mãe teve as contrações e entrou em trabalho de parto no dia 1º, devo então ter nascido um pouco mentiroso.

Acho que não é de todo ruim, até porque o escritor é um contador de causos que,  na maior parte das vezes, não aconteceram. Mentir, mentir, eu não consigo muito. Também reconheço bem uma mentira.

No “face a face” era difícil me pegar no primeiro de abril. Oras, meu aniversário era no dia seguinte! Como esqueceria uma data dessas?

As pessoas que não tem costume de mentir muito geralmente o fazem com o queixo proeminente, uma boca mole, que não deixa a língua agir solta, formando os fonemas com se deveria. Mesmo quando caímos na conversa, acabamos por não compreender bem por causa da dicção comprometida pela vergonha. A gente acaba perguntando:

– Oi?

Ou melhor:

– Sério?

E a pessoa não consegue repetir sem rir. Ou fica com vergonha do que falou.

– Não, tô brincando.

Hoje, no “face book”, é mais difícil. Não dá para saber quem está mentindo. Cada hora, uma difamação aparece, um ponto de vista, um texto escrito por um anônimo creditado a um famoso é compartilhado a cara fez que apertamos F5 para atualizar a nossa tela.

Ah, não usamos F5. Não mais. Enquanto você lê algo, seus programas já avisam que você tem mais oito ou dez atualizações. Quero fazer algo que valha o seu tempo disposto aqui.

São quase 4 anos sem posts regulares neste blog e muita coisa mudou. Muita coisa mudou para mim também. Se o blog era para falar sobre as coisas que vivia como um capixaba aprendendo sobre o Rio, quero agora falar sobre as coisas que aprendi nesse tempo “fora”.

É claro que falaremos do hoje, até quando falamos do passado o pensamos com a cabeça de agora.

Apesar do tom sério desse texto, o nome do blog não mudou. Aqui, é para falar sobre as coisas que chateiam, mas que também nos fazem rir.

Principalmente se não for com você, né?

Vamos tentar novamente? Eu rio Muito, semanalmente no ar. Se tiver algo excepcional no meio do caminho (leia-se da semana), eu escrevo aqui também.

Um abraço para todos.

Estevão Ribeiro

Versão 3.4