Os pássaros


atribuna

Sabem aquela expressão “você é de casa?”

Nunca funcionou tão bem quanto agora. Apesar do meu contato com redação de jornal ter começado no Notícia Agora, que pertence à Rede Gazeta de Comunicação, para onde eu produzi 386 páginas de quadrinhos, foi no jornal A Tribuna que eu trabalhei de fato e ativamente com a notícia.

Eu produzia infográficos, dando forma e cor à alta do dólar, queda e aumento de popularidade de políticos, esclarecia para o leitor como ocorreu certo acidente, como funcionaria o trânsito graças àquela festa ou manifestação… Vivia no departamento de arte (Zota e eu), junto com a galera do tratamento de imagem (Sérgio, Luís, Lúcia, Augusto e Renan…), com os armários dos fotógrafos, com o chargista Pater… O ambiente era ótimo, longe das pessoas que escreviam.

recomendaEu tinha uma gana por escrever no jornal, deixar, de vez em quando, de ser um dos “meninos da arte”. Qualquer redação vão chamar a galera da arte assim. Um com 70, outro com 48, outro com 23, mais de duzentos anos somados transformados em garotos.

É ótimo, pensando agora, mas o complexo de vira-lata me fazia pensar que achavam que valíamos menos por desenhar, por tratar fotos, por não seduzir as pessoas pelas palavras. Eu entrei nA Tribuna em novembro de 2003. Mais de dez anos depois, tenho aparecido nesse jornal como um filho orgulhoso que manda uma carta para casa, dizendo que está longe, mas que está tudo bem. Aqui estão duas “cartas para casa”. Vejam aí!

A primeira é uma notinha na coluna “No Tom”, que saiu no dia 06/07, onde recomendo um CD… peculiar. Clique na imagem para ampliar!

Já a segunda é um artigo para o AT2 Livre, dando a minha opinião sobre a missão do autor de histórias em quadrinhos.

atlivre

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Eu e a galera do Social Zero no estande da Logos Livraria.

Eu e a galera do Social Zero no estande da Logos Livraria.

Neguim acha que a vida é braba. Tem neguim que vê injustiça em todo o canto. E não é que neguim ta certo? Mas tem neguim pensando errado também.

Mas tem neguim que acha normal usar a palavra “neguim”, para designar um sujeito desinformado, malandro, o bobo, o cara que fatalmente vai se ferrar.

“Neguim” geralmente vem seguido das palavras “faz” e “merda”.

– O Brasil devia estar melhor, mas “neguim faz merda”…

– Neguim e branquim, respondo.

– Ah, cara! É modo de dizer, né?

O pior que não é modo de dizer. É modo de pensar.

Durante o polêmico e controverso protesto de Paulo Coelho, que diz ter se recusado a ir à feira internacional do livro em Frankfurt em solidariedade aos seus colegas autores mais vendidos no Brasil, reparei a falta de negros na lista de 70 nomes. Aliás, apenas um, Paulo Lins, autor de Cidade de Deus e um índio, Daniel Munduruku.

Mas os critérios utilizados para escolhas dos autores foram a relevância de suas obras.

Minha insatisfação é injustificada, porque eu não tenho sequer 10 nomes de autores negros e índios para sugerir para a lista, fechada desde março deste ano. Isso é reflexo da minha educação? Desinformação, talvez? Discordo!

Se me pedirem 20 nomes de jogadores de futebol negros eu te diria, mesmo não gostando de futebol (tá certo que eu iria demorar, mas consigo).

Eu usei Frankfurt nesta conversa apenas para pontuar a minha situação. No mesmo dia em que meus colegas escritores estavam em Frankfurt e outros colegas não estavam, eu estava na Bienal Capixaba do Livro, em Vitória, Espírito Santo, minha terra natal.

Eu não sei como dizer o quanto estou decepcionado com o que vi. Vitória, um lugar paradisíaco, já foi considerado o 3º lugar em qualidade de vida, tinha como “feira do livro” uma área coberta com toldo, que cobria parte do estacionamento do Shopping Vitória.

Havia apenas uma ou duas editoras por lá, o resto eram distribuidoras e livrarias.

O espaço, na maior parte do tempo vazio, chega a ser assustador. Eu sei que esses tipos de comentários sobre a terra natal parecem “ingratos”, mas o espaço da Bienal Capixaba é, proporcionalmente, do tamanho da área de alimentação da Bienal do Rio.

Um espaço que para mim funcionou foi o Espaço do Escritor Capixaba. Vendas a dinheiro apenas, mas quem quisesse expor seus materiais ali era apenas chegar, deixar seus livros, o preço e pronto. O espaço ficava com 10% do valor, a título de administração. Lindo.

Apesar do tamanho e da falta de pessoas, a sexta edição da Bienal Capixaba do Livro seria uma boa experiência, até o momento em que eu devia assinar meus livros “A Corrente”, “Hector & Afonso – Os Passarinhos” e “Os Passarinhos e Outros Bichos”.

Numa mesa dentro do estande da livraria Logos, lá estava eu: um negro sentado à mesa com livros expostos com o seu nome, blusa preta e uma gravata verde (sim, usei).

Apesar de todos os funcionários da Logos (a maioria negros) estarem devidamente identificados por uma camisa branca com a logo da livraria e credencial, recebi minha “primeira” visita:

– Posso sentar aqui? – Uma senhora chegou, conversando com uma pessoa.

– Hã… – antes mesmo que eu pudesse responder, ela sentou-se à cadeira ao lado, escreveu um telefone para uma amiga atrás de um cartão, apoiada à mesa com meus livros.

– Não vou demorar nada.

– Tá, é que eu estou assinando meus livros.

– Ah, está? Eu sou escritora também!

Até aquele momento me pareceu que apenas escritores estavam na Bienal. Isso justifica as 45 cabeças andando dentro daquele toldo.

Ela me falou do trabalho que desenvolvia e deu o golpe:

– Que tal eu assinar seu livro e você assinar o meu?

Eu não lembro o que falei, mas acredito que tenha sido um não, porque ela pediu apenas para tirar uma foto comigo.

– Nós, autores, precisamos nos ajudar, né? – E foi embora.

Minutos depois:

– Você trabalha aqui? – Uma mulher com um livro na mão.

– Na verdade, não sou funcionário da loja… Mas estou trabalhando. Estou autografando meus livros.

– Então, você não pode me ajudar… – A mulher me deu as costas e seguiu à vida.

Aí chegou uma galera do blog Social Zero, que acompanha meu trabalho, e comprou uns livros, fez festa, tiraram fotos. Uma galera na batalha, como todo mundo que faz cultura, mas sem perder o sorriso.

Outras duas pessoas também me pediram informação sobre livros expostos em todas as prateleiras, além de um garoto que queria que eu soubesse onde estava o livro Diário de um banana. – O do filme, disse ele.

A conclusão louca que eu tiro disso é que as pessoas não estão reparando, não associam mais as informações, elas apenas fazem uma análise superficial do que parece ser.

Três funcionários negros trabalhando na loja, mais um sentado na frente de livros? Claro que é funcionário!

borrada

Aliás, não há nada de mal em ser funcionário, assim como não há nada de mal uma médica cubana ter “cara de doméstica”, como uma jornalista colocou no twitter.

Nós, autores de começo de carreira, somos vendedores também. Thalita Rebouças foi uma vendedora incansável dos seus livros no começo de carreira. Hoje apenas o seu nome é o bastante para encher lugares.

Mas o preconceito em ver ali um autor como um funcionário baseado em sua aparência é triste e reflexo de uma educação precária e perpetuação de um modelo de sociedade em que quer os negros em atividades que eles consideram “adequadas” à cor.

Ah, as vendas foram boas, viu? Tem neguim que sabe vender seu trabalho.

Eu não acredito que seria interessante escrever de forma cronológica por aqui, até porque são quase cinco anos de “altas confusões com uma galera do barulho”, então vou contar as passagens de acordo com o meu humor, tá?

Mas não poderia deixar de contar algo que me aconteceu há duas semanas.

Fui ver o filme Os Croods, um filme até interessante e em alguns momentos, emocionantes. Atualmente meus olhos têm se enchido de lágrimas quando vejo QUALQUER filme, pois como um dos meus sonhos é emocionar com um trabalho cinematográfico, quando eu vejo um trabalho bem feito, eu me emociono pelo trabalho, muitas vezes mais do que pela história.

The Croods Movie

Os Croods foi um pouco de tudo. Mas não vou falar do filme, não é o foco deste post. Eu quero falar com vocês sobre uma conversa que tive, bem curtinha até, com um rapaz qual não lembro o nome (estou sendo sincero, porque não seria justo dar um nome aleatório a esse cara), enquanto esperava a hora de ver o filme.

Sentei numa das poltronas saguão de cinema do  Botafogo Praia Shopping e esse rapaz sentou na minha frente.

Óculos  fundo de garrafa, cordão, camisa do Fluminense, já com alguma idade e com Síndrome de Down, acompanhado com mais dois amigos, também Downs, e duas mulheres, parentes deles.

– Você vai ver qual filme?

– Os Croods, respodi.

– Eu já vi. É muito bom!

– Legal! E você, vai ver o que agora?

– Duro de Matar.

Ele falava um pouco alto e os óculos mostravam claramente que ele tinha um sério problema de visão. Eu tinha visto dias antes o filme Colegas, e eu preciso dizer que nunca antes eu tinha conversado com um Down. Não por opção, mas por simples falta de oportunidade.

colegasMas o interessante é essa conversa ter acontecido depois de eu ter me emocionado tanto com o filme dos dois amigos e uma amiga que fugiram do instituto onde moravam para realizar seus maiores desejos. Eu até colaborei com a campanha #vemseanpenn do jeito que eu podia…

Eu considero o que aconteceu uma sincronicidade. Tenho usado muito essa palavra depois de ter descoberto o seu significado, que vou tentar explicar aqui bem rápido.

Sincronicidade é quando você toma conhecimento de algo e, em algum momento, numa aparente coincidência, você vê essa coisa em outro lugar.

Como você saber o significado de uma coisa hoje e amanhã alguém aplica essa palavra em seu convívio social e você a reconhece.

vemseanpenn

– Engraçado, falávamos ontem sobre isso – diz você. Mas muitas vezes, fala-se sobre isso sempre. Você é que não se ligava porque desconhecia. A partir do momento que toma conhecimento, você reconhece o assunto, o nome, a palavra em seu convívio.

Mas então, voltamos à sincronicidade. O rapaz me perguntou sobre o filme eu ia ver.

– Mas Croods é para criança.

– Ué, eu sei… Mas eu gosto de animação… – disse, com uma certa vergonha, mas depois em recuperei.

– E também, sou ilustrador, roteirista… Gosto de ver para me inspirar! – vai que cola, né?

– Você é desenhista?

– Sou! – colou.

– Eu gosto de desenho!

– Legal! – Tirei meu tablet da bolsa e comecei a desenhar para ele e mostrei a minha primeira antologia de tiras  dOs Passarinhos (sim, viraram uma antologia e logo falo dela aqui).

– Muito legal! – o rapaz viu as tiras, o desenho que fiz no tablet e ficou maravilhado. Quando foi me devolver o livreto, não aceitei.

– Mas é seu – disse ele.

– Não, é seu.

– Eu quero também – disse o outro.

– Infelizmente só tenho um, mas você pode emprestar a ele, né?

– Claro!

– Bem, vou indo. Os Croods vão começar agora – coloquei meu tablet na bolsa. Foi aí que eu ouvi algo que me desconsertou:

– Essa sua bolsa é de menina – disse ele.

Eu fui zoado e paguei na mesma moeda:

– Essa sua camisa TAMBÉM é de menina.

Ele olhou para a camisa do Fluminense e gargalhamos.

(desculpa meus amigos do Fluzão)

Se eu pudesse resumir a semana que passou em uma palavra, eu teria que inventá-la, porque meu vocabulário parco só consegue pensar numa palavra que vagamente poderia expressar a realidade, mas aí vai: Louca.

Não de louca no sentido literal, ninguém aqui ainda está ligado à base de medicamentos, é uma loucura “do bem”, como dizem as celebridades.

A semana foi o que foi porque vi as coisas realmente acontecendo, coisas que dependem de mim e de terceiros.

Começando por mim, terminei as 60 tiras para entregar a agência que vai oferecer Os Passarinhos para os jornais.

Foi uma batalha, porque sou um cara imediatista (do verbo “afobar”) e enviei para a agência 23 tiras, as únicas que eu tinha feito até o momento e eles toparam representar. Como eu precisava entregar 60, corri contra o tempo para fazê-las, sem descuidar da qualidade.

Pelas opiniões de alguns afortunados (leia-se pessoas que importuno) mostrando as tiras, a qualidade continua e eu consegui produzir a 60ª tira no último sábado, dia 05/09.

Este sábado também foi minha primeira experiência como “palestrante” no Rio.

Fui a um evento chamado BlogCamp, que visa reunir blogueiros para se divertir, assistir palestras, se divertir, mostrar alguns slides, se divertir e, no final da noite, beber. Eu estava me divertindo.

Falei junto de Clara Gomes (Bichinhos de Jardim), e o Kadu Castro (Ornitorrinco Suicida), sobre humor na Internet. Era para ser uma oficina, mas o tempo estava meio atropelado, e então virou bate-papo. Um ótimo bate-papo, por sinal.

Todo o evento estava muito legal, fiz bons contatos, conheci mais um lugar do Rio, os arredores da estação de metrô do Cantagalo. Um lugar bonito pacas!

Resumo da ópera: Sabadão dez!

Um livro a caminho!

Bem, é estranho falar da sexta agora, mas encare isso como pontuar o post por “ordem de importância”. Recebi no meio da sexta do amigo Eric Novello suas observações sobre o meu livro de terror.

Como nunca mais poderei usar uma esse trocadilho, vou fazê-lo agora: No início, fiquei “aterrorizado” com o que vi (entenderam? Livro de terror, aterrorizado… hein, hein?).

O meu livro tem cerca de 250 páginas formatado, ou seja, 98 páginas de “documento de Word”, trocando em mais miúdos ainda: 98 folhas de PAPEL CHAMEX.

Quando ele voltou, estava com grandes blocos vermelhos de texto e meio gordo: 127 páginas!

O Eric me preparou taaaaaanto para a situação, que no decorrer da leitura do livro ele me mandava e-mails esporádicos – em resposta a minha ansiedade de ficar perguntando para ele como estava ficando – com frases como “não brigue comigo”, “não me odeie”, “não me bata” e, quando o livro chegou, estava lá “nada de me odiar nem ficar deprimido!”

Passado o baque inicial, resolvi ler aquele monte de letras vermelhas e vi que o a coisa não era tão feia quando parecia, aliás, a maioria das observações eram sugestões técnicas, ou seja, a trama estava intacta e o que era melhor, aprovada!

Então a partir de amanhã volto a trabalhar num livro que começou a ser escrito em 2004, “terminado” em 2005. Não gostei do resultado dos últimos capítulos, escritos na correria, eu confesso, então ele ganhou uns anos no SPA da gaveta.

Em 2008, quando o livro iria completar cinco anos de existência, resolvi revisá-lo e reescrever os últimos cinco capítulos.

Foi esse trabalho que foi revisado pelo Eric e que, espero eu, estará em algumas semanas na mesa (ou no picotador de papel) de algumas editoras…

Agora é revisar, mandar e esperar!

Eu acho que o livro está muito legal, ou pelo menos, cumprindo o seu papel…

O Eric sonhou com o personagem do livro quando terminou de ler o livro 😉

Até outro post, falando sobre a Bienal do Livro e dos eventos fora dela…

Não tenho como explicar o sumiço, ou a falta de disciplina com este blog, mas quem acompanha Os Passarinhos sabe que eu não estou parado.

Gostaria de escrever um pouco mais da vida carioca, mas pouco tenho feito, senão trabalhar, trabalhar e trabalhar dentro do quarto em minha casa usado idealizado como um mal arrumado escritório.

Além de roteirizar cartilhas, tenho me dedicado aos Passarinhos, que já me deram boas notícias: Eles foram publicados na revista MAD #17, que é a deste mês e marcarão presença na MAD #18.

Além disso, os personagens, com apenas um mês de vida, são agenciados pela Intercontinental Press, empresa que cuida da distribuição de tirinhas em quadrinhos do Hagar, Fantasma, Garfield, Snoopy, Mutts e outros. Agora é produzir e esperar que os jornais se interessem pela tirinha. Torçamos e acompanhe o blog dos Passarinhos!

 

Mais uma tentativa de reconciliação com São Paulo…

Na última sexta, decidi em cima da hora ir ao 21º Troféu HQMIX, evento que premia os que mais se destacam na área de quadrinhos no Brasil. Decidi pegar minha mochila, encher de livros e partir pra luta, vender meus produtos por lá. Como só consegui pegar o ônibus na rodoviária do Rio das 13h30min. A previsão para chegada era de seis horas.

Tudo correria perfeitamente bem, claro! Eu chegaria à rodoviária do Tietê às 19h30min e chegaria ao SESC Pompéia no máximo com 15 minutos de atraso. Isso não aconteceu. Cheguei à rodoviária às 20h40, devido ao famoso trânsito paulista. Encontrei um “nativo” legal, prestativo, que me falou da parte “nova” da estação da Luz, que me faria economizar um bom tempo no metrô. Digo “nova” porque existe há quase um ano e ainda não colocaram no mapa mostrando as estações do metrô.

Aproveitei que uma senhora com a sua criança e uma mala iam para o mesmo trem e a ajudei com a mala.

Dentro do trem, um senhor pedia ajuda as pessoas. Ele não tinha uma perna e pedia ajuda, ora para comprar uma prótese, ora para pagar a passagem da filha e dele para voltar pra casa, sabe lá Deus onde é.

Como poucas pessoas prestavam atenção nele, este senhor começou a perguntar diretamente as pessoas se podiam ajudar ou não:

– Ei, você de cabelo louro. Não vai me ajudar não? E, você? Vai dar uma ajudinha?

Ele chegou perto de mim.

– E aí, o senhor vai me ajudar a completar a passagem?

Eu já estava atrasado e cansado. Virei para o homem e o encarei nos olhos.

– Você sabia que você está CONSTRANGENDO as pessoas? – Falei.

– Como assim? – Perguntou o homem, sério, me olhando nos olhos. Se não estivesse com as duas mãos nas muletas, teria partido pra cima.

– Do modo que você pergunta para as pessoas, parece que vai assaltar se ela não der! Pedir já é feio, do modo que você está fazendo é de deixar puto!

– E como devo perguntar? – Perguntou me encarando.

– Como estava fazendo antes. Ninguém é obrigado a te dar nada aqui, cara. Não aborde as pessoas diretamente. – Me virei para o vagão e gritei. – Se alguém tem CONDIÇÕES e QUISER ajudar este homem, ajude. Ele NÃO VAI te abordar como se tivesse te assaltando mais!

O homem foi mais pra frente e perguntou: – Vou ver se dá certo, hein? Alguém pode me ajudar?

Cinco ou seis pessoas deram dinheiro a ele.

– Não é que deu certo? Vamos ficar rico, filha! – Falou o homem, antes de sair do vagão. A minha parada era a próxima.

Depois de andar uns quarteirões, cheguei ao SESC, evento já findando a primeira hora, ou seja, ninguém para se vender quadrinhos ou meus livros. Vi a mesa do Quarto Mundo e da HQMIX Livraria na frente. Dias antes pedi à livraria para ceder um espaço para colocar três produtos meus, recusado. Paciência.

Fui para o evento em tempo de ver a galera conhecida, que estranhamente não me reconheceram. Todos com pressa, todos já tinham feito o social antes de chegarem, todos com seus prêmios em mãos… Vendi uma HQ ou outra e aconteceu uma coisa estranha, na verdade, uma coisa recorrente nesses eventos.

Quando apresento meu trabalho para alguém, um editor, não importa o calibre, ou um ilustrador mais ou menos famoso, eles nem fazem menção a COMPRAR meu produto, feito com suor e publicado com trabalho.

Eles simplesmente embolsam, por acharem que estão fazendo um favor para gente. Se ao menos lessem o material e dessem um retorno, isso não acontece. Simplesmente olham o livro e falam: – É pra mim?

Caramba! Vou para um evento com o MEU DINHEIRO, não estou a uma estação de metrô de distância, me esforço para estar nos lugares para ter meu trabalho rifado por pessoas que estão por cima agora, mas já estiveram na mesma condição que eu (ou não, muitos foram financiado pelos pais…), que não metem a mão no bolso para comprar o material, nem ao menos perguntam o preço.

Reconheço que parte disso é da minha culpa, porque não tenho um espírito mercenário de recuperar a grana investida. Estou errando nisso, tentando acertar com Os Passarinhos e outros trabalhos que virão. Mas gostaria do que ouvir (ou ler) que mais do que algo do gênero “Estevão é um dos caras do cenário independente que mais produz”. Quero ver essa gente COMPRANDO o que produzo, também, se não for pedir demais!

Há umas semanas tive a grata surpresa de ler a resenha do meu livro “Enquanto Ele Estava Morto…” no site Aguarras , escrita pelo escritor, roteirista e tradutor Eric Novello muito interessante, primeiro porque foi elogiosa ao livro, o que me deixou honrado, mas o fato marcante é que Eric COMPROU o livro, o que lhe “isenta” de certos cuidados com o autor, sabe? Ele não me “devia” uma crítica positiva, mas alguns resenhistas são influenciados pelo fato de ganharem um livro e precisarem “prestar” contas do “presente”. Tantas aspas, não?

Voltando ao HQMIX, a festa é maravilhosa, são 20 anos de prêmio, o teatro do SESC fica quase lotado, mas pede renovação. Levem seus filhos, sobrinhos, primos, pois é um evento que a garotada precisa ir. E além do mais, podemos sempre encontrar o Mauricio de Sousa por lá, além do Laerte, Angeli e grandes nomes dos quadrinhos nacionais. Encontrei a galera do Quarto Mundo , e do comi pizza paulista com o pessoal do Universo HQ, tive que agüentar aquela piada VELHA que não se coloca catchup em pizza, que não existe pizza fora de São Paulo, etc… Mas tenho que concordar que nunca comi uma pizza como a de São Paulo… Até porque não comi apenas uma!

A noite acabou de repente, todos foram pra casa e eu me vi só na Pompéia, pensando se ia curtir a noite de Sampa ou se voltava pra casa. Peguei um táxi e consegui pegar o último ônibus para o Rio.

Balanço da viagem? Não sei ainda. Fiz contatos, mas conversei com poucas pessoas, não curti como poderia e a noite acabou cedo. Vamos ver o que me aguarda.

Quando cheguei à Niterói, tive uma sequência de boas surpresas:

– Ao folhear as revistas da Turma da Mônica, vi que na edição 32 do Cebolinha saiu uma história minha, A Eleição. Depois de algumas histórias recusadas pelo Maurício, tentei ler mais, estudar o estilo, que muitas vezes me escapa, talvez pelo desconhecimento dos temas que podem ou não ser abordados nas histórias da Turminha. De qualquer forma ver esta história ser publicada me fez pensar que tenho que, além de cuidar os Passarinhos, das cartilhas, de um outro grande projeto que está despontando com meu amigo PJ, Pequenos Heróis, dois livros parados e arrumar uma forma de ganhar dinheiro, preciso de escrever algumas histórias para a Turminha, coisa que não faço desde junho…

Olha a capa do Cebolinha:

Olha a primeira página da história (a terceira da revista):

Ó a página de roteiro:

Então, quem quiser conferir a história de seis páginas, corra para as bancas!

Como meu sábado ainda não tinha acabado, cheguei em casa da viagem e fui saudar os três gatos de casa: Migalhas, Leão e Becca, a gata que estava grávida… e agora, não está mais! Cinco gatinhos famintos cobriam a gata de pequeno porte, mostrando que serão dias complicados os dessas semanas! Logo postarei fotos dos gatos aqui, porque eles vão precisar de lar já já…

Pequenos Heróis: Editora Anunciada!

 

Arte por Mario Cesar

Arte por Fernanda Chiella | Arte por Jaum

Mais tarde, ao acessar a net, deparo-me com a mensagem de ninguém menos que Carlos Costa, da HQM Editora, e então, acabou-se o segredo: Posso revelar agora que os Pequenos Heróis vão sair pela editora responsável pelo Leão Negro, Invencível e Mortos Vivos! A editora é, de longe a maior investidora de quadrinhos se “Supers” brasileiros, e trará pessoal consagrado nesta Internet de Deus para o bom e velho papel, como Danilo Beyruth, Nestablo Ramos, Daniel HDR e outros!

Para saber mais detalhes, leia no site da editora!

Bem, como podem ver, trabalho aos tubos, peço compreensão e não deixem de aparecer, tentarei ser mais disciplinado nas atualizações!

Abraço!

Olá, pessoal que acompanha os passarinhos! A partir de hoje os (já?) carismáticos personagens estarão em outras paragens, num lugar próprio.

Com isso, voltamos a deixar o blog Eu Rio Muito para as minhas aventuras pela cidade maravilhosa. Claro que atualizações importantes do blog Os Passarinhos serão noticiadas aqui também, então, não deixem de acompanhar os dois blogs.

Como podem reparar, o nome mudou de “Os Pássaros” para “Os Passarinhos”, porque algum engraçadinho registrou no WordPress a identificação http://ospassaros.wordpress.com ficamos então, com o endereço http://ospassarinhos.wordpress.com

Em breve terei notícias bem legais relacionadas aos personagens! Enquanto isso, marquem presença lá no blog. As tiras publicadas aqui serão republicadas lá, uma por dia, até chegar nas inéditas. Depois, a atualização será tal qual foi aqui, às terças, quintas e sábado.

Agradeço desde já a força 😉

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Sabadão é dia dOs Pássaros! Continuando a série “Vida de Escritor”.

Obrigado a todos visitam o blog, o Hector (o baixinho) agradece, e o Afonso (o chatinho mais alto) finge que não gosta de holofotes e já está reclamando por não aparecer!

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