2013-12-28 15.49.32

Eu sempre tive um grande orgulho da Hortifruti, um mercado que nasceu em Colatina/ES, em 1989, segundo a história de seu site.

Meu primeiro contato com uma loja da Hortifruti foi na década de 1990, quando eu, moleque, ficava na frente da loja na Reta da Penha, na ilha de Vitória. Minha família passava por grandes apuros financeiros (uma mãe abandonada e quadro filhos e um sobrinho dividndo 3 cômodos).

Eu, a exemplo de meus amigos,  tentava vencer a timidez e  me oferecia para carregar as sacolas de feira em troca de trocados. Passava mal cada vez que tinha que pedir. O “não” acabava comigo, minha cara queimava, mas os trocados garantiam os pães.

O Hortifruti que conheci sempre foi um lugar “chique”. Diferente dos “sacolões”, a galera tinha dinheiro para gorjeta, imaginem! Coisa que eu só via em filme!

Anos se passaram e eu comecei a trabalhar em jornal, o dinheiro entrou um pouco e eu fui morar do lado de um Hortifruti, na Praia do Suá, ainda em Vitória/ES. O lugar era acolhedor, preços que eu podia pagar e empregados prestativos, comunicativos. Todos os pesos, tamanhos e cores. Nunca vi problema algum ali, assim como não vi também no de Botafogo, já aqui no Rio, quando comecei a dar aula de roteiro nas redondezas e tomava meu café da manhã ali.

Mas se tinha  algo que me orgulhava mais no Hortifruti eram as propagandas, super modernas. Como roteirista de histórias em quadrinhos, a sacada da MP Publicidade, uma agência capixaba, passava uma sofisticação na linguagem digna de prêmio. E acho que ganhou alguns.

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A agência usou de todas as referências populares para passar que a empresa é moderna e está em sincronia com seus clientes.

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O problema é que essa imagem de moderna e que compreende seus clientes cai por terra quando um dos seus funcionários da filial no Leblon é dispensado na véspera do natal por ter feito um corte mais “ousado”, com as laterais mais curtas do que o topo.

Depois de um dia de trabalho, o chefe o dispensa, dizendo que irá descontar o dia trabalhado ainda. O que estamos vendo aqui?

Um rapaz, pelo que diz a nota da coluna “Gente Boa” do jornal O GLOBO de hoje (28/12/13), chorava, desejando Feliz Natal ao pessoal.

Como esse rapaz chegou em casa para cear com a família falando que perdeu o dia de trabalho porque alguém se vê no direito de opinar sobre o seu corpo? Ele tem que seguir alguns padrões de etiqueta, palavreados, como atender? Isso é algo admissível.

Porém impor um corte de cabelo é algo extremamente discriminatório.

ATENÇÃO CONSUMIDORES: A partir de um momento que um funcionário, que é uma pessoa e, consequentemente, um consumidor, não é aceito na loja em que trabalhava por causa de um corte de cabelo, para mim isso é um claro sinal de que consumidores com cortes de cabelos similares também não são bem vistos lá. Na loja. No Hortifruti. No LEBLON.

Já tive orgulho de dizer que essa rede de lojas, nascida em Colatina, que fez história no Espírito Santo e na propaganda brasileira. Agora, ao ver no que esta “marca” se tornou no Rio, me dá nojo.

[EDITADO] Garoto foi dispensado, não demitido.

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