Bem, mais um tema sério aqui (droga, assim vou ter que mudar o nome do blog), mas eu acho que este texto tem umas curiosidades que podem te interessar. Quero lhe falar sobre o Funk carioca.

Alou? Você ainda está aí? Que bom! Continuando:

É corriqueiro ver o pessoal do Rock falar mal do Funk e o pessoal da MPB  falar mal do Funk, é até mais raro ver o próprio pessoal do Funk reclamar do caminho que o Funk está tomando, mas eu vejo bem menos o pessoal do Funk falar mal da galera do Rock.

Até porque quem gosta de geralmente gosta de Pagode, de Samba e acredite, de Rock.

O som que vem do morro “é de preto, de favelado” e ligado ao subúrbio, como disse o DJ André Werneck numa festa na Zona Sul. Ele disse que não tocaria funk porque o lugar onde ele tocava é de outro nível, (esse sou eu simplificando a fala do cara).

Funk é ligado ao tráfico porque é o som preferido pelos traficantes. Se algum traficante for amante de música clássica, esta será discriminada também ? Se bem que é capaz do traficante ser discriminado, não o gênero musical.

Uma das coisas que mais falam sobre o Funk é a apologia ao consumo de drogas, à violência e ao sexo precoce.

A jornalista Rachel Sherazade chegou a fazer uma comparação, dizendo Bossa Nova é luxo e Funk é lixo.

O mais interessante é que a música mais representativa do Funk carioca fala de violência, mas em forma de protesto.

“Eu só quero é ser feliz” (da dupla Cidinho e Doca)  fala do morador que quer ter o direito de ir e vir onde ele mora. Em momento algum faz alusão à sexualidade.

Já a música mais famosa da Bossa Nova (e a segunda mais regravada no mundo, segundo a propaganda da Folha), foi composta por dois senhores e é sobre uma menor de idade (Helô Pinheiro tinha 16 para 17 anos no ano de composição da música) “que passa num doce balanço a caminho do mar”. O que vocês acham que balançava? O cabelo? Os braços? O corpo inteiro? Ou era o bom e velho (nesse caso, o novo) popozão?

Aí, as pessoas se escandalizam quando um funkeiro canta “Mexe, novinha”. Claro que existem exemplos pesados, proibidões, coisa pesada mesmo.

Mas se o Funk faz escrachado, a MPB se valia de metáforas para falar de atos sexuais.

A música “Anjo”, de Claudio Rabello, Dalto e Renato Correa) , ao meu ver (talvez minha mente esteja me pregando uma peça), mas relata uma transa. E ao que parece, entre um experiente e uma virgem.

Já a música “Sonho de Amor”, de Michael Sullivan e Paulo Massadas, me parece falar de um sonho (ou de ato) sexual, “com estrelas rodando em carrossel, testemunhas do amor, eu e você”. Detalhe: Patrícia Marx não parecia ter mais do que 14 anos quando cantou essa música…

Se garimpar achamos muitas mensagens nas entrelinhas. Mas fora a sutileza e o escracho, achamos o preconceito de ambos os lados da música brasileira.

Outra hora visitarei o tema novamente, com mais tempo para pesquisa.

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