Eu não acredito que seria interessante escrever de forma cronológica por aqui, até porque são quase cinco anos de “altas confusões com uma galera do barulho”, então vou contar as passagens de acordo com o meu humor, tá?

Mas não poderia deixar de contar algo que me aconteceu há duas semanas.

Fui ver o filme Os Croods, um filme até interessante e em alguns momentos, emocionantes. Atualmente meus olhos têm se enchido de lágrimas quando vejo QUALQUER filme, pois como um dos meus sonhos é emocionar com um trabalho cinematográfico, quando eu vejo um trabalho bem feito, eu me emociono pelo trabalho, muitas vezes mais do que pela história.

The Croods Movie

Os Croods foi um pouco de tudo. Mas não vou falar do filme, não é o foco deste post. Eu quero falar com vocês sobre uma conversa que tive, bem curtinha até, com um rapaz qual não lembro o nome (estou sendo sincero, porque não seria justo dar um nome aleatório a esse cara), enquanto esperava a hora de ver o filme.

Sentei numa das poltronas saguão de cinema do  Botafogo Praia Shopping e esse rapaz sentou na minha frente.

Óculos  fundo de garrafa, cordão, camisa do Fluminense, já com alguma idade e com Síndrome de Down, acompanhado com mais dois amigos, também Downs, e duas mulheres, parentes deles.

– Você vai ver qual filme?

– Os Croods, respodi.

– Eu já vi. É muito bom!

– Legal! E você, vai ver o que agora?

– Duro de Matar.

Ele falava um pouco alto e os óculos mostravam claramente que ele tinha um sério problema de visão. Eu tinha visto dias antes o filme Colegas, e eu preciso dizer que nunca antes eu tinha conversado com um Down. Não por opção, mas por simples falta de oportunidade.

colegasMas o interessante é essa conversa ter acontecido depois de eu ter me emocionado tanto com o filme dos dois amigos e uma amiga que fugiram do instituto onde moravam para realizar seus maiores desejos. Eu até colaborei com a campanha #vemseanpenn do jeito que eu podia…

Eu considero o que aconteceu uma sincronicidade. Tenho usado muito essa palavra depois de ter descoberto o seu significado, que vou tentar explicar aqui bem rápido.

Sincronicidade é quando você toma conhecimento de algo e, em algum momento, numa aparente coincidência, você vê essa coisa em outro lugar.

Como você saber o significado de uma coisa hoje e amanhã alguém aplica essa palavra em seu convívio social e você a reconhece.

vemseanpenn

– Engraçado, falávamos ontem sobre isso – diz você. Mas muitas vezes, fala-se sobre isso sempre. Você é que não se ligava porque desconhecia. A partir do momento que toma conhecimento, você reconhece o assunto, o nome, a palavra em seu convívio.

Mas então, voltamos à sincronicidade. O rapaz me perguntou sobre o filme eu ia ver.

– Mas Croods é para criança.

– Ué, eu sei… Mas eu gosto de animação… – disse, com uma certa vergonha, mas depois em recuperei.

– E também, sou ilustrador, roteirista… Gosto de ver para me inspirar! – vai que cola, né?

– Você é desenhista?

– Sou! – colou.

– Eu gosto de desenho!

– Legal! – Tirei meu tablet da bolsa e comecei a desenhar para ele e mostrei a minha primeira antologia de tiras  dOs Passarinhos (sim, viraram uma antologia e logo falo dela aqui).

– Muito legal! – o rapaz viu as tiras, o desenho que fiz no tablet e ficou maravilhado. Quando foi me devolver o livreto, não aceitei.

– Mas é seu – disse ele.

– Não, é seu.

– Eu quero também – disse o outro.

– Infelizmente só tenho um, mas você pode emprestar a ele, né?

– Claro!

– Bem, vou indo. Os Croods vão começar agora – coloquei meu tablet na bolsa. Foi aí que eu ouvi algo que me desconsertou:

– Essa sua bolsa é de menina – disse ele.

Eu fui zoado e paguei na mesma moeda:

– Essa sua camisa TAMBÉM é de menina.

Ele olhou para a camisa do Fluminense e gargalhamos.

(desculpa meus amigos do Fluzão)

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