É claro que não dá para ser feliz todos os dias. Digo, a gente tenta, se engana, procura em alguns momentos o motivo pra soltar um sorriso e dizer: – Caramba, isso vale à pena. No momento, isso está meio difícil de acontecer.

A mudança para um novo lugar, o dinheiro curto, os desafios da produção cultural, o dinheiro curto, poucas amizades… eu já falei do dinheiro curto?

Há dez anos tento transformar uma paixão num modo de vida. A produção de histórias, sejam elas quadrinhos, livros, cinema, TV, animação… em suma, escrever não para mim, mas para quem quiser ler, ouvir, ver.

Mas para fazer isso e apenas isso, você precisa ser bancado ou ser remunerado pelo que faz, mas aí me vem uma grande indagação:

Não é presunção demais achar que as pessoas vão pagar por algo que saiu de minha mente? Quem penso que sou para achar que vão gastar seu dinheiro, fruto de um trabalho duro, para ler o que escrevo?

Pois é, quase peguei vocês! Na verdade, EU me enganei. Eu sinceramente achei que, se me esmerasse em cada trabalho, experimentando histórias, aproveitando as oportunidades, eu conseguiria convencer as pessoas que dá para publicar algo de qualidade – mesmo se não for conteúdo, pelo menos gráfico – sem ainda ter alcançado as grandes editoras.

Então, vão aqui umas dicas:

Antes de dizer “quero meu exemplar autografado”, caro amigo do autor, diga “quanto custa?”. Demonstre que você quer COMPRAR o livro, não GANHAR na cara dura. Ou não pergunte, não deseje sucesso, porque, no caso de um autor, o sucesso depende de dois elementos:

  1. – Qualidade do trabalho inicialmente da qualidade de seu trabalho, para se tornar atrativo para quem venha consumir e;
  2. – Consumidores! Fica difícil, quando se tem mais gente te desejando sorte, que tudo dê certo porque o autor é “uma pessoa maravilhosa com dom que Deus me deu”… mas ninguém leva fé o bastante nesse dom a ponto de abrir a carteira e o ajudar a prosseguir na sua luta.

Outra coisa. Você que acha que seu amigo não sentirá a sua falta num lançamento, pense no seguinte: Se você, que é amigo ou conhecido do autor, não faz um esforço de ir, imagine então uma pessoa que leu o anúncio do lançamento no jornal, na Internet e talvez nunca tenha ouvido falar dele…

Depois, se esse cara despontar, chegar longe e te ver na fila em busca de um autógrafo dele, não se sinta mal por ele não te reconhecer ou fazer questão disso. Por outro lado, não se preocupe, esse tipo de coisa raramente acontece!

 

Por outro lado, entendo as pessoas. Ninguém é obrigado a financiar o sonho de ninguém. A realidade nos deixa amargo e é difícil a gente pensar que alguém pode fazer o que gosta e ainda assim viver bem, se realizar financeiramente.

Você faz o que gosta, mas paga o preço por isso.

Foi muito bom ver “Enquanto Ele Estava Morto…” pronto. Foi péssimo não ver todos que pensava ver para dividir essa alegria comigo, mas tive momentos ótimos.

Roberto Faria, cineasta, me disse que ficou com lágrimas nos olhos ao ler o capítulo específico do livro.

Aguinaldo Silva, novelista e mestre, anunciou no seu blogão o lançamento do meu livro, declarando que iria lá se não tivesse em Portugal.

Rodrigo Ribeiro, parceiro do curso de roteiro do Aguinaldo Silva, comprou o meu livro para presente e no dele, pediu uma assinatura para o filho de nove anos, que já começa a escrever as suas primeiras historinhas.

Foram momentos maravilhosos, mas nada me comoveu mais do que ver meu irmão Noé, o do meio (não o do livro) e minha irmã Ana Paula, se encontrarem depois de 20 anos. Ela o mandou embora de casa quando tinha 14 anos e passou por muitos problemas, mas venceu na vida e estava lá, entre os poucos presentes no lançamento em Vila Velha, no Espírito Santo.

Lá estavam pouco mais de meia dúzia de pessoas, entre elas duas pessoas que não se olhavam há vinte anos, apresentando seus filhos que sequer viram por fotos.

Se o livro “Enquanto Ele Estava Morto…” for esquecido como história, pelo menos será lembrado como ponto de referência de um encontro aguardado pelos dois…

…E por mim.

 

Eu realmente agradeço aos sites e jornalistas (com diplomas ou não) que divulgam meus lançamentos e que tem apoiado os trabalhos que faço. Obrigado mesmo.

 

Eu ainda farei dois lançamentos: Um em Vitória/ES e outro em Niterói/RJ. Não espero ninguém em especial, apenas o faço porque são os lugares que vivi e vivo, porque acredito que é uma história que merece ser lida.

Se alguém ainda quiser adquirir “Enquanto Ele Estava Morto…”, está disponível na Comix Book Shop e na Livraria HQMIX (SP), na rede de Livraria Logos (9 lojas no ES) e na livraria Leonardo Da Vinci (RJ). Todas essas livrarias tem lojas virtuais ou dá para encomendar.

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