buzina1

 

Carioca ADORA buzinar.

Onde você estiver, onde couber um carro, ali estará um descontente com a vida, apertando uma buzina.

Utilizado originalmente como um acessório de alerta, a buzina nas hábeis mãos do estressado carioca serve como um recurso de comunicação pouco eficaz ao meu entender, mas amplamente usado.

Vão cruzar uma rua? Buzina! O sinal abriu e dois segundos a fila de carros não andou? Buzina! Está entediado? Buzina neles! Mas também tem o uso responsável da buzina, como recurso de censura.

 Ah, vai se >BIIIIIIIIIIIII!<

– Vai você, seu >BIIIIIIIIIIIII!<

– Enfia essa >BIIIIIIIIIIIII!< de buzina no >BIIIIIIIIIIIII!< da sua mãe!

Lembro das dores de cabeça freqüentes dos primeiros dias nas ruas do Rio. Não é despeito, juro.

Logo alguém falará que em São Paulo o trânsito é pior, e com certeza estarão certos. Mas o pessoal não buzina como no Rio, por motivos óbvios. A buzina não é um cajado, o trânsito não é o Mar Vermelho e definitivamente, e motorista não é Moisés.

Bem, deve ter uma porrada de “Moiséses” por esse Brasilzão, mas vocês entenderam o que eu falei. Em Vitória/ES, o trânsito anda mal. A pequena ilha tem apenas cinco acessos entradas/saídas, o que transforma a ida pra casa num caos. A buzina come solta em alguns cruzamentos, mas na maioria dos lugares, só caras de insatisfação dos motoristas, que vêem no carro ao lado um companheiro de angústia.

Se bem que algumas vezes os olhares são de inveja, por você estar derretendo num carro sem rádio e/ou ar condicionado, enquanto vê um cara ao lado se sacudindo em seu carro de vidro fechado, curtindo a viagem. Aí, sobra apenas buzina, para exercer o desejo irracional de ser inconveniente. Fiz isso uma vez, quando cozinhava sob o sol das 15h no trânsito de Vitória, devido a uma obra numa das cinco vias. O que dizem no Centro de Vitória é que, se um cão for atropelado em quaqluer rua, o Centro pára.

Minha amiga no volante, eu me estressei e apertei a buzina. Dois minutos depois de silêncio, a gente ainda estava no mesmo lugar.

Ela me pergunta: adiantou algo? Você gostaria de ficar ouvindo buzina toda hora?

Não respondi, fiquei quieto, como o trânsito.

Depois me mudei para o Rio, e hoje atravesso as ruas acompanhado por um coro de buzinas…

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